segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A Brewtiful love - Ato I

Há! O amor...                                                                                                                                                    

Quando:

o coração esquenta e se sente um frio lá no fundo da espinha;

a respiração fica ofegante e a vontade de ficar abraçado por dias a fio aflora;

todos os medos se dissolvem pelo menor dos sorrisos;

enquanto todo o universo pulsa dentro de cada centímetro do corpo.                                                           

Já faz muito que deixei de acreditar no amor dos contos de fadas.

Mas, passei a acreditar em algo ainda mais especial e único:

Um encontro de almas.                                                                                                                                  

Almas perdidas, sofridas e imperfeitas que se encontram e por mesmo que por um átimo se tornam uma:

as palavras deixam de ser necessárias e o viver inunda;

os sonhos saem dos pensamentos e se tornam palpáveis;

na boca fica o gosto das melodias que te fazem lembrar dele;

e mesmo no total escuro uma fragrância permanece e é capaz de arrepiar a integridade dos pelos.            

"Onde você está? Você prometeu que voltaria, mas faz tanto tempo! Você se perdeu? Aconteceu alguma coisa com você?" [From: Wolfwalkers]                                                                                                        

Sorte é quando o amor resiste e persiste. Mas, é não menos especial quando passa, mas marca profundamente cada viela que percorre. 

O amor é por ele, mas é meu e existe em mim pra além de qualquer resposta ou volta.                              

Raro é quando o amor responde e volta.

Mas, é não menos marcante quando na memória ecoa e gera uma felicidade cintilante e única.

O amor é com ele, mas é também em mim e o transbordar de um excesso de carinho que quer jorrar do meu peito.                                                                                                                                                      

Amo-o exatamente como ele é, sem cogitar mudar nenhum defeito [que por mais que eu não veja agora, deve, com certeza, existir] 


"A simetria é tão sem graça

.e muito tosca

. e quero me jogar nesse azul

.no infinito desses braços

.pois aqui me sinto livre

.eu aqui me sinto em casa

.eu aqui me sinto inteiro"


Contudo preciso dizer que tem horas que a pressão do meu sangue se esvai e até mesmo respirar parece uma tarefa hercúlea.

Na distância o silêncio ensurdece e o lidar com o talvez efêmero ou inalcançavel corta a carne.                

Mas, mesmo assim vale a pena. 

Vale toda a pena que existe pra valer 

e perdura o amor... em mim, pra ele, por mim e em todo lugar.                                                                    

:. e eu espero que esse amor floresça lá também e ressoe de volta ao meu peito.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A bofetada

Estima-se que no universo existem mais de 10 sextilhões de estrelas. ✨  

Só na Terra existem aproximadamente 10.000.000.000.000.000.000 de insetos escondidos por aí... 🐛🪲🪰🪳🦟🦗

E nessa imensidão de existências, parece absurdo acreditar que algumas conexões são predestinadas ou especiais.

Mas, eu, com meus 86 bilhões de neurônios, creio que pra mais do que um destino rígido existe uma beleza ímpar no podermos escolher nos entregar e nos conectarmos.

Não sei porque não me apaixono pelo tio da padaria ou pelo rapaz que flerta comigo no ônibus...

Contudo, eu sei que quando meu peito aperta e minha barriga se inunda de joaninhas 🐞 : esse sentimento é uma das coisas mais formidáveis que posso vir a sentir. 

O motivo de ser por você ? 

Talvez em outras vidas tenhamos tido uma longa história de amor e eu só tenha sentido o eco das nossas antigas existências...

Ou talvez eu tenha olhado tão fundo nos seus olhos que tenha conseguido me conectar com sua alma 

Ou talvez "vossa excelência desperte em mim os instintos mais primitivos"

Mas, no fim do dia eu não consigo explicar o porquê, mesmo conhecendo-te a pouco tempo, eu estaria disposto a:

" dançar tango no teto contigo

limpar os trilhos do metro por você 

ir a pé do Rio a Salvador

aceitar a vida como ela é (...)

tomar banho gelado no inverno" 

ou fazer marmitas veganas;

ou te mandar mensagens de bom dia, todo dia, mesmo sendo unilateral. 


Eu só sei que só posso ser quem eu sou e que :

" Ô bixinho, eu devo te conheçer de outra vida  🎶                                  

Meu sentimento anda repartido: um pedaço tem sido pra você "


No fim do dia, serei sempre grato por ter me feito recomendações de coisas maneiras, por ter tido o trabalho de me ligar e por ter se permitido me ouvir e falar por quase quatro horas sem parar. 

E se não dermos certo. ok:

"bota a culpa no signo

Tudo por culpa do signo

Ai, ai, ai esse signo

Ai meu Deus esse signo"


Talvez esse seja o último bom dia dedicado. Talvez eu precise entender que serei pra ti só um amigo... mas, quero que saiba que esse serzinho emocionado, sentimental e bobo se apaixonou por ti e se encantou pela sua complexidade, paixão e cara boba.

Ps:. sei que escrevo alguns clichés e rimas fáceis, mas clichés só são clichés quando nos outros, quando em nós é só viver. 💕

Escrevo-te pois eu preciso colocar o que sinto pra fora: ou senão me inundaria tanto em mim que talvez perderia-me em meio a mim mesmo. 



domingo, 14 de junho de 2020

Unamo-nos

Professores, nos unamos para de fato mudar esse mundo !! "O opressor não vai abrir mão dos seus privilégios sem luta." O único jeito de realmente mudar tudo é quebrando o sistema opressor pra construir outro.

Um outro: novo, humano e igualitário.
Minha forma de luta é pelo ensinar com amor, com consciência de classe, reafirmando meu lugar de proletário e vendo pra além da nota, do prazo, da fórmula... É olhar para o aluno como o ser humano digno de respeito e individualidade que ele é.

Mostrando que ok errar, pois é errando que se aprende e que a "perfeição" que o sistema teima em por como meta é só outra maneira de nos oprimir.
Mostrando que ser diferente é incrível e que eles têm o direito de saber quão belos e incríveis são.
Além disso sempre tentando mostrar que eu também sou humano

A luta é árdua, mas a recompensa que vem com ela é indescritivelmente prazerosa.
Que eu vire luz.. Que eu vire imensidão...
Que meu amor ecoe... ♡♡ E que minha luta se transforme em energia de empoderamento, de resistência e sobrevivência. “O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS, MAS O SILÊNCIO DOS BONS”" 


Do Will: Professor, Aluno, Progressista, Sonhador, LGBTQ+, Queer, Resistência e sobrevivente.

#antifa #forabozo #proud #lgbtq #resistencia #fighter

Até logo

Boa noite, boa tarde ou bom dia...

Não tô muito bem não e me desculpa pela demora pra responder e me pronunciar. Agradeço a todas as mensagens de carinho e apoio que recebi e espero responde-las com calma quando eu melhorar.

Na verdade estou mal de um jeito que nem sei se já fiquei antes.

Tentando achar sanidade pra ver alguma luz no fim do túnel.

Hoje a eles me dispensaram formalmente...

Não fui eu quem saí; eles me tiraram.

Talvez eu não tenha feito o bastante pra alcançar o nível exigido pela escola e talvez eu não me alinhe mesmo aos ideais da instituição, não sei ainda o que pensar disso, mas de coração eu me esforcei e botei meu coração em cada palavra e atividade que eu fiz.

A pandemia está sendo pesada para todos nós, mas penso ter me empenhando em tentar produzir um conteúdo bom, humano e que garantisse a qualidade pra vocês sem pesar tanto; tentando ser leve, divertido e buscando novas ferramentas e narrativas . Ou ao menos eu me esforcei pra tentar entregar isso a vocês.

As noites mal dormidas vendo tutorias de como tentar melhorar o som dos vídeos, as horas e mais horas editando, gravando, escrevendo e me esforçando até literalmente sucumbir de exaustão Física... tudo isso continua valendo a pena pelos momentos de aprendizagem, respeito e carinho que tivemos.

Nesse momento são muitas as minhas preocupações: a quarentena, os problemas financeiros que virão em breve com o meu desemprego, a saudade da minha família, a minha saúde debilitada pela falta de descanso e tempo pra me alimentar direito nos últimos meses, a minha cicatriz da cirurgia do apendicite que ainda sequer sarou direito... Os pesadelos com os prazos que eu tinha que cumprir ainda ecoam e minha mente ainda não os fez ir embora. Talvez eu não tenha sido forte o suficiente pra aguentar o tranco de ser professor, sozinho em São Paulo, em meio ao caos do Covid...

Ao menos, espero que saibam que o dinheiro que eu gastei pra comprar um microfone de lapela, pra tentar arrumar meu computador, pra comprar a licença do programa de edição, pra tentar melhorar meu zoom, todas as vezes que passei a internet do meu próprio celular porque a da pensão onde moro não estava funcionando, a tentativa de improvisar um fundo para os vídeos, os cursos que busquei pra tentar entender como avaliar na quarentena e como amparar os jovens fragilizados pela pandemia, como usar simuladores para gerar aprendizagem significativa, como fazer atividades que incorporassem os elementos que vocês têm em casa... espero que saibam que tudo isso continua valendo a pena por causa de vocês.

Peço desculpas por qualquer coisa e por talvez não ter feito o bastante.

Peço que sempre continuem sendo esses jovens adultos incríveis e especiais e que nunca se esqueçam que vocês podem chegar aonde quiserem e que ninguém é obrigado a ser bom em tudo e que tá ok ficar mal um dia, ter problemas, errar e tropeçar.

Que jamais deixem ninguém fazer vocês se sentirem pequenos e que me ensinaram muito nesse tempo que passamos juntos.

Sei que muitos não entendiam os textos longos, as atividades na frente do espelho ou gravando vídeos medindo a velocidade de vocês
... mas saibam que tinha um motivo pedagógico por trás de cada escolha: o ENEM é cheio de longos textos e questões com vários passos, a Fuvest demanda um raciocínio lógico complexo e de criatividade argumentativa e mais do que tudo isso a vida e os tempos modernos pedem mais amor e mais cuidado.

Sei que as vezes posso não ter escolhido a melhor palavra na hora de responder uma dúvida ou que posso ter falhado, mas que isso permita a vocês entender que o importante no fim das contas é sempre se esforçar em reparar os erros e que não tem problema pedir desculpas e tentar fazer melhor da próxima vez.

Sei que sempre escolhi me posicionar, lutar pela liberdade, pelo debate, pelo amparo e pela coletividade. E disso também não me arrependo.

Não me arrependo de lutar pelo que eu acredito ser certo, por sempre tentar proteger aqueles que nem sempre podem se proteger sozinhos e espero que o meu amor pela docência tenha ecoado em vocês para que possam procurar suas próprias paixões e propósitos de vida.

Era meu papel dar bronca, ajudar a formularem os argumentos e as vezes também a mostrar as falhas por trás dos quereres e das certezas que as vezes tinham.


No fundo nada sabemos, segundo algum velhinho da filosofia aí e quem sou eu pra discordar dele; mas, se tem uma coisa que eu sei é que a aprendizagem vem ora com o não, ora com um sorriso, ora com um bando de fórmulas e frases pra ajudar a decorar... e que professores são só outros seres humanos tentando sobreviver nesse mundo às vezes caótico.


E pra deixar bem claro, não estou julgando as escolhas da escola e nem quero fazer nenhum juízo de valor sobre ela ou qualquer membro da instituição e que qualquer divergência de opiniões será expressado no lugar apropriado pra isso.

Só queria me despedir, dizer de novo que se precisarem podem sempre contar comigo e dizer que vos amo: e esses são os único intuitos dessa mensagem e espero que eu consiga alcança-lo.

Aos meus alunos, todos eles de todo e qualquer lugar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Desjornadeado


A besta

Ansiedade virou uma palavra cada vez mais comum no imaginário popular, mas aqui não é uma mera agonia inerente ao novo ou situação desconhecida: ela cria corpo e vida.

A presa tem que se degladiar com força contra esse ser que consegue imobilizar e impor um domínio ímpar sem sequer ser visto.

Sorrateira, visceral, capaz de ver por além da alma e de criar sombras até mesmo onde a luz bate com força.

Controla o tempo e desvirtua os sentidos: os dias passam correndo e as atividades se amontoam num piscar de olhos e em poucos instantes soterra a energia que havia sobrado.

O silêncio é rompido pela ferocidade quieta que ela traz.

Sem origem, sem corpo, sem cor, sem nada. Mas, presente em todo lugar. Invisível enquanto carrega consigo uma enxurrada  
de si,
do outro,
do sempre,
do nunca.



O herói

Um só em meio a bilhões.
Robusto de ideias e perene na luta que a muito ele já abraçara.
Refletindo em si as incertezas nas quais tanto tem certeza e que se diluem na criatividade para com que interage no mundo.



O encontro

As ideias pairam em sua cabeça.. são tantos os vislumbres e ímpetos pra trabalhar, criar e produzir.

Contudo, seu corpo inteiro estremece ao pensar em começar.

Seu coração se comprime e o sangue parece parar de circular pelo corpo.

A cabeça brilha, mas se apaga pela ansiedade que domina.

A insegurança sem sentido, o medo do erro e a petrificação que frustra e gera tanto desconforto.

O coração que a pouco parara, ora explode em migalhas ora simplesmente some deixando um vazio que se faz sentir.

Em frente ao caos gerado e a tamanha imponência a derrota parece certa.

Como pode um corpo frágil e orgânico enfrentar tamanho conflito cósmico? A tragédia começa a vencer no lugar da jornada que alguns podiam vir a esperar.



O duelo

O espaço tempo que teima em nos possuir aqui nada importa.

O herói em um súbito se sente grande.

Cada vez maior até que não seja mais um: seja muitos, seja vários. Uma legião inteira daqueles que o compõem.

Nas palavras que profere escuta todos aqueles que já ouvira.

Nas suas mãos sente o toque daqueles que teve a honra ou o desprazer de esbarrar.

O amor que recebe reverbera de além do que o rodeia, vindo do âmago daqueles com quem ele compartilhou um pedaço de sua existência.

Seu eu tem a força de um nós que vai além dos seus, se energizando até mesmo nos ícones que a ficção nos deu.

Os anos de trajetória o calejaram e por mais que a momentos atrás parecessem aumentar o peso que carrega, se transforma no impulso que o faz voar.

Sai do chão que atritava com seus pulsares e se vê livre pra poder golpear.
Será que assim finalmente exorcizara a besta que a espreita está?



A Vitória

Ouso dizer que estive lá - por mais que o lá aqui esteja: telespectador de uma batalha que raramente se permite ser vista.

Escolho vos dizer que o destino sorriu pro nosso herói. Ou melhor, que ele, eu e você criamos nosso sorriso. Um sorriso que existe com luta e por isso tão especial.

E viveu então feliz pra sempre,
sendo o sempre até o surgimento da nova besta a ser derrotada,
e a felicidade aquela que até na tristeza habita.


    

Photo by Antonio Mora

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Amor Calefação

Acordei focado.

Iria pra academia em busca do tão sonhado corpo torneado.
Não que eu me importe muito com isso, só que dizer que não me importo em nada também é mentir descaradamente.

Tinha marcado de te encontrar; algo rápido, visceral, carnal, público e sem muita conexão.
Mas, lá vem a vida com toda a sua pompa e espírito brincalhão.

Demorei pra chegar; mas quando cheguei me deparei com muito mais que um corpo belo: um moço rapaz de sorriso farto e olhos profundos... uma imensidão de complexidades, dores, alegrias e sonhos. 🌌

No parque, à luz do luar, com o vento batendo e os olhos mais diversos a observar.

Engraçado como foi depois disso; deitado em seus braços que comecei a me apaixonar.

Acordei, no dia seguinte, com um sorriso bobo e leve - clássico de quem acabara de se deparar com formoso sentimento a palpitar e crescer.

Demorou, mas quando te reencontrei estava tremendo por dentro.

Sei que o humor parece exalar confiança; mas se pudesse ver além do exterior veria um serumaninho em pânico em frente à tão majestoso fuor.

A cada instante me permiti conhecer-te e permiti mostrar-me mais e mais. ⚘

A minha vergonha de ficar nu em frente de terceiros se esfarelou e genuinamente ouvi cada uma de suas histórias e a cada uma delas me despi mais e mais; me deixando extremamente exposto.

Os anos me calejaram e me deram a habilidade de ver, quase que em negrito, quando algo incrível e especial está acontecendo. Porém, essa mesma vida também me fez me proteger em meio aos abismos inerentes de nossa existência.

Eu ia embora em breve.

E já tinha muito de você dentro de mim.

E fiz talvez o movimento mais delicado de todos. Te levei pro centro dos meus amigos; te coloquei dentro da minha vida; te vi criando raiz e se tornando parte do nós que tanto prezo.

Jamais quis acreditar que o que senti era unilateral, mas acho que era o caminho mais fácil a seguir. Tive medo... tive pânico...

Sua complexidade entrou em choque com a minha fractal e infinita forma de ser: intenso, exato, emocional, racional...

Mesmo em meio a brincadeiras, espero que saiba que eu realmente vislumbrava , num futuro, me assentar ao seu lado.

Eu compraria quantas alianças finas o dinheiro me permitisse e construiria uma vida cheia de pimpolhos e cachorros épicos.

Mas, não sou perfeito.

Jamais tive ciúmes do seus amigos, do seu passado, dos seus antigos parceiros ou até mesmo dos que sabia que viriam após eu partir: tive inveja, mista em um vislumbre de saudade e uma pitada de indignação por não ter tido a chance de ficar mais tempo ao seu lado.

Sucumbi perante tamanha dor que se aproximava.

Não te considero perfeito e sei que a exaltação veio dos dois lados. Dois titãs tentando sobreviver e se encontrando cada um com seu Rasengan meticulosamente ensaiado. 🌋

Uma explosão. O silêncio. A chateação...

Sequer sei como seria se a calmaria tivesse regido nossos últimos instantes.

Mas, eu realmente sei que não seria nós e nem condizente com o sentimento avassalador que senti.

Uma grande amizade sempre tem conserto e da minha parte já a consertei por inteiro. Afinal, você já é um amigo, uma paixão, um crush e foi um super - mesmo que express - namorado.

Admito que acordei assustado de noite em busca dos seus abraços e ainda tenho espasmos por saber que está chateado.

Minha mente tenta me fazer crer que você não se importa (se importou) comigo e que tudo não passou de uma miragem que criei em meu próprio quintal.

Mas, sei que não é verdade... ou pode até ser: não importa.

Escolhi ver-te com meus mais belos olhos e acreditar na melhor versão de nossa história.

Espero que consiga, antes de mais nada, se manter em foco às suas metas, que consiga resolver seus problemas e que entenda que não há força capaz de destruir algo tão belo como o que aconteceu entre nós.

Ainda tenho vislumbres de nós cultivando nossa amizade, quiçá nos beijando, nos amando, crescendo, se apoiando...

Não sei ao certo qual será o futuro, mas hoje vou respeitar seu espaço e lidar com os buracos que antes tinham seu toque, figurinhas engraçadas e sua força imensa.



Art by Adam Riches


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O encontro - A anfitriã

A mesa estava milimetricamente arrumada. Não de uma forma conservadora ou que prezasse por uma simetria exagerada: era despojada e trazia um ar descontraído, como se a anfitriã não tivesse pensado e repensado onde colocar cada objeto sobre ela (por mais que ela o tivesse feito).

Um detalhe importante é o de que a mesa era também obra de seu próprio trabalho e destreza manual. Usando de umas madeiras que outrora eram porta de um armário, e que para muitos não teria a menor utilidade, ela fez sozinha (ou com a mínima ajuda possível de terceiros) aquela mesa. 

Uma obra prima que contava com pequenas imperfeições aqui e acolá, fato esse que a tornava deveras única e especial. Imperfeições seria o nome que um leigo fordista daria ao que de fato é poesia pura; algo que tornava aquela estrutura além de única: cheia de alma. 

Era também um certificado vivo da sua força e autossuficiência; que por si só já passava uma mensagem clara ao convidado que estava a chegar. 

O resto do cômodo estava praticamente vazio. Ainda não tivera tempo de fazer sua mudança definitiva. Ou talvez estivesse protelando ao máximo mudar pro apartamento onde moraria só, depois de tantos anos acostumada com o barulho característico que as famílias produzem quase que ininterruptamente. 

Umas almofadas bonitas, que fora presente de sua mãe, foram colocadas no chão com certo ar desconstruído e despojado que sua geração aprendeu a exaltar. 

As cadeiras... ela também as montou, depois de comprar na internet e esperar calmamente com que elas chegassem. 

Os planos de como cada cantinho ficará já está na sua cabeça e parte deles em alguns desenhos que ela esboçou com esmero. 

Porém, ela não tem pressa; ou ao menos não a demonstra. 

Cada canto vai se criando no seu próprio ritmo; por mais que convenhamos que, as vezes, esse o seja lento demais. 

Talvez esse cômodo reflita bem o conflito que ela sente em relação ao mundo. Uma batalha sutil entre o seu apreço pelo inesperado, a aventura, o visceral, a paixão; e os seus planos tão cuidadosamente forjados e que em alguns breves momentos urgem em seu peito. 

Ela já não tem mais 20 anos. E muito menos está perto dos 40. Ela habita aquele limbo temporal onde ainda se é muito jovem pra ser velha e ao mesmo tempo velha demais pra ser jovem (parafraseando a antiga Sandy Ejunior, agora órfã do seu sobrenome).

O menu do jantar tinha sido pensado pra agradar ao convidado, mas também para se encaixar nos desejos dela de prezar pela saúde e pela boa experiência culinária. 

Comprara cada um dos ingredientes, os cortou, preparou, cozinhou e decorou sobre a mesa. 

E não fora só do ambiente que ela cuidara.

Foram longos os minutos em que ela pensou em qual seria a melhor roupa para a ocasião. Queria se manter longe de uma aparência séria ou formal demais, contudo também queria um tom menos cotidiano, afinal queria deixar claro que esse não era um dia qualquer, era mais do que só mais um encontro. 

Acabou por se vestir com o mesmo ar angelical e jovial que é quase a sua marca. Uma jovem com seus vestidos leves, coloridos e floridos, complementados pelo seu sorriso encantador e um ar intelectual sempre presente. Porém, decidiu por ousar nos acessórios e na maquiagem. Nada exagerado, mas algo que denotasse como aquele dia era especial.

Já estava quase tudo pronto e sua pauta mental sobre o motivo daquele jantar também já estava estipulada e, obviamente, ia muito além de uma simples refeição. 

Tinha tanto a ser falado...
Tanto a ser decidido... 
E mais do que isso: tinha tanta coisa que ela desejava desesperadamente ouvir.





Photo by Stefan Draschan

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

.onoffline

admito que já tive muito medo de sofrer.
tive medo da dor, da solidão, da finitude e até mesmo da escuridão.
porém, há muito já aprendi a viver com tudo isso.

aprendi a sentir cada uma das minhas lágrimas e a não mais lutar contra quando elas precisarem sair.
a deixar o vazio tomar conta de tudo ; pra logo em seguida a vastidão silenciar qualquer sorriso que ouse tentar voltar .
me acostumei com as crises que me paralisam e com os dias que me rasgam a carne.

calejei-me.

deixei pra trás o romantismo que já me fez crer no para sempre e no abraço capaz de curar todas as dores.

porém, não consigo estar pronto pra perder um sorriso;
um que antes estava ao alcance dos meus lábios e que se desmanchou no mais rápido dos dizeres.

como aguentar o peso do silêncio de onde antes jorrava as mais belas e relevantes sentenças?

queria entender como posso dormir sendo o jovem da primeira fileira e acordar sendo mais um ou pior:

Ninguém.

antes lindo, agora o causador dos maiores tremores naquilo que tentei do lado estar.
o meu toque que antes acalmava, agora por si só tortura, queima e desmancha.

parece que todo e qualquer momento caiu no lugar mais íngreme que eu nem sabia que existia em mim.

um quê de fantasia banal naquilo que tanto me era  real.  Fantasia que corroê os passos e des-saboreia os sonhos que possam vir a surgir.

e caio...

instante a instante dentro do sentir de algo que já não me é mais nem ao menos dado, pensado, cogitado.

a distância de todo um universo não seria maior do que a que se criou entre nossos passos. 
e eu nem sequer percebi que o tempo todo estive andando descalço.

queria que um súbito me acordasse e que meus sonhos que agora finalmente são tão calmos e lindos, não fossem pesadelos ao serem tão dissonantes dos fatos.

pior que doer é levantar e se esquecer da dor;
acreditar por um segundo que está tudo bem;  
pra sem tempo de se preparar, 
ser arrematado dele 
e ter que dar a notícia pra mim mesmo de que nele não há mais nem sequer um pedaço meu.



Photo by Agnes Cecile





sábado, 29 de julho de 2017

.dawn - Verborragia noturna

Como nem só de poesias vive um homem, hoje decidi, ou melhor precisei, esvaziar minha cabeça a mil em um texto que espero que fique bom, mas que se não te agradar, sorry: "Não estou aqui pra agradar seu senso estético", anyway.

Antes de mais nada queria reiterar uma coisa que acho que já berrei infinitas vezes pra todos que me conhecem: a madrugada é o momento mais assustadoramente incrível do dia.


- A agonia que me paralisa e leva qualquer vontade de dormir embora é a mesma que me faz estar mais aberto a mim e a sentir um pouquinho mais o mundo - 


Ney, o Wilian Junior

- Sabe aquele seu amigo que assistiu o seu seriado preferido e não somente desgostou, como o odiou; então, acho que é assim que eu me sinto em relação ao mundo de indivíduos que simplesmente apagam na cama sem se remoer com problemas dos mais bestas até aos dignos de anos de estudos acadêmicos [ não que eu seja orgulhoso disso, de maneira alguma, ás vezes até "num quero", mas nunca entenderei toda essa gente do sono regular] -

Últimos dias foram realmente difíceis pra mim [ por motivos que realmente demandariam mais energia e entrega do que estou disposto a dar agora...] Mas, acho que esse contexto ajuda a entender um pouco mais o texto, maybe.

- isso vindo da pessoa que faz poemas homéricos sobre amor, dor, queda e recomeço em um loop infinito e melodramático (ao menos I recognize me). -

Falando nisso, fugindo do assunto mais uma vez: reli meus poemas alguns dias atrás e alguns deles realmente ainda mexem comigo de uma forma avassaladora [ que palavra estranha e imponente essa, né? AVASSALADORA]  enquanto outros eu queria jamais ter tido o trabalho de fazer [ tão auto crítica, ela ]

-  e não é que alguns até que são bons; e descobri que eu reconheceria algo que escrevi de longe: tenho padrões bem definidos e péssimos vícios linguísticos - um dia quero vir a entender meu tesão literário pela palavra homérico - -

Tá, mas vamos pro que interessa.

ALERTA!  
Ou melhor, pro que eu quero de fato escrever, já que de antemão aviso que nada aqui será tão interessante assim. 

Começando (sendo o terceiro começo consecutivo do texto) por um desabafo sobre o que significa a febre de pessoas frenéticas respondendo as milhares de mensagens que receberam no tal do sarahah.com.  

Ok! Já dá pra perceber que serei um tanto quanto tendencioso, generalista e dono da verdade no que vou escrever, mas hoje estou me dando ao luxo de tacar um little foda-se pra isso tudo. ( Devia estar escrevendo um artigo? Deveria... Mas, tô aqui escrevendo "borracha" - nova expressão aprendida, que não faz nenhum sentido, mas que gosto mesmo assim; talvez eu goste mesmo por causa de quem fala ela pra mim o tempo todo (sim; I really really like him) - 

Um app que recicla um modelo já manjado e extremamente batido de anonimato descomedido e irrestrito? Hummm... Mas, até aí não temos nada de novo, não é mesmo, more? 

Vivemos grande parte das nossas horas lotando os servidores da dita cuja da internet com milhares de fotos e tentativas de sermos reconhecidos por nossos pares, simulando sentimentos, melhorando-nos com filtros sobre filtros e simulando nossas ideologias.

Todavia, isso aqui não é um episódio de Black Mirror (se não viu ainda, vai lá assistir e depois volta, tá bom, querida? Tem na Netflix) e não estou disposto a fazer uma divagação do quão vazios somos e de como vivemos uma vida de aparências e blablablabla.

E nem vou entrar na discussão de como as pessoas, ao pensarem não estarem sendo vistas - ou talvez sem estarem mesmo sendo - só lembre-se que tudo isso sempre pode vir a vazar, espertões - -  se tornam pessoas tão diferentes das que apresentam socialmente: agora que ninguém me vê posso flertar com o pinto alheio, me abrir para o crush que vejo todo dia ou dar em cima daquele boy que namora sério.

Haaaaaa. 

Seria tão difícil assim podermos falar o que realmente pensamos e sermos quem realmente somos sem ter que precisar de uma fuleiragem dessas pra nos sentirmos mediocremente livres? (curiosidade que Google me trouxe: a palavra fuleiragem significa traição no Nordeste. Vai que um dia isso seja útil, não é mesmo? - isso se significar isso mesmo lá, afinal só Renato Russo que usava "camelo" aqui em Brasília e povo acha que é gíria local -)

 - falo como se eu fosse o desconstruidão livre dessa necessidade de toda uma geração, né? Quem dera, só é fácil apontar o dedo na cara dos outros mesmo -  Seria tão bom, né?

O ponto que me mais me incomodou foram as pessoas que se sentindo - ou até mesmo sendo - as web celebridades, decidiram tirar prints das mensagens que receberam e responder todas elas; comentando e dialogando com a sua "audiência".  (se você fez isso, relaxa tá, meu incômodo is beyond you)

Sério! Até que ponto vai a nossa necessidade de orbitar nossa vida entorno de mensagens de pessoas aleatórias, não identificadas e muitas vezes doentias?

"Queria que me fudesse forte e me chamasse de meu macho"
"Por que não me responde e me ignora"
"Cara, você é muito escroto, sabia?"
"Amigo, você é a coisa mais linda que já vi em toda a minha vida"
"Porque não canta no meu ouvido, roça sua barba no meu cangote e diz que me ama?"

Eu poderia produzir infinitas frases como essas (baseadas em algumas que vi no instastory dos amigos) - tenho sérios debates e conflitos quanto a existência do infinito matemático ou filosófico, mas, já disse que hoje to foda-se pros detalhes , né? -  E todas elas seriam igualmente despidas de real capacidade de serem interpretadas. São cascas vazias prontas para serem recheadas ao bel prazer do leitor.

São meras sentenças jogadas ao vento, sem rosto, sem contexto e sem nenhuma relevância; e as pessoas as usam pra galgar e sedimentar o quanto são queridas, amadas, veneradas e transudas.

Não sei o que é pior: celebridade de sarahah, desconhecidos fazedores de vídeos ao vivo nas redes sociais - pra não falarem NADA DE INTERESSANTE -  ou colecionadores de match de tinder -
sim, tô particularmente treteiro hoje - .


Contudo, pra parar de ser a julgadora da vida alheia, melhor eu tentar descrever um pouco das epifanias pessoais que tive - aí a exposta sou eu, né? -

Todos sabemos que podemos errar e que inevitavelmente iremos fazê-lo várias vezes ao longo de nossas curtas vidas. Podemos lidar super bem com isso ou podemos nos apegar aos nossos defeitos, transforma-los naquilo que nos define - por mais que ele não chegue nem naquele 1% - e nos martirizar por isso.

Sou mestre em fazer burradas que dizem muito pouco sobre o que sou e que penso, numa tentativa inconsciente - se é que o inconsciente existe - de me encaixar na caixinha de más visões que tenho sobre a minha pessoa. -

É como se eu estivesse em frente ao Parque do Harry Potter - se você é uma das pessoas que vivem no planeta Terra, odeiam Harry Potter e tem entre 20 e 30 anos; acho bem dificil eu gostar de você e peço pra que pare de ler minhas intimidades, ok? #nãosouobrigado - e decidisse ao invés de entrar logo no parque, ficar dando uns pulos de acrobacia - que você não domina - na frente do parque, arriscando quebrar o pé e ter que ir parar na emergência de um hospital qualquer de Orlando - tão eu - isso se eu não perdesse meu passaporte antes de conseguir me fraturar. - - 

Sobre esse caso hipotético, são várias as possíveis causas do meu atraso pra entrar no mundo mágico da fake Hogwarts. Pretendo falar de todos eles mais tarde, mas por hora tenho que sair e não quero deixar esse texto unfinished, afinal foram LONGAS horas escrevendo e editando ele.

Ainda vou editar mais e mais coisas, porém já vou publicar porque hoje estou hard life mode on.

E pra que eu não esqueça, quero falar ainda sobre conclusões de cunho amorosas - realmente tenho uma lista gigante de coisas pra falar sobre - , sobre um filme sensacional que vi nessa madrugada, sobre novas portas que se abrem e como lidar com elas - ou tentar, ao menos , inseguranças, sentimentos x contratos, e de várias coisas que me aconteceram no dia de hoje...


Pra não perder o costume - TO BE CONTINUED 





quinta-feira, 27 de julho de 2017

.hope

Olha pra cá, pra bem perto de mim.
Olhe no fundo dos meus olhos e se veja;
E ao se ver talvez perceba o que significa aos meus olhos.

Olha de lado e veja que sou todo errado.
Mas, olha atento e veja o quanto quero estar ao seu lado por mais um bocado.

Eu olho e me sinto inundado - minha mão tremula com medo de fazer algo de errado -
Um olhar pra lá de arranhado, mas, que ao olhar você me olhando até parece sensato; exato.

Pode me olhar assustado; precisando esperarei ao seu lado.
Pode me olhar desconfiado; lhe mostrarei minha certeza que essa é a escolha mais que acertada.
Pode não querer ser visto; fecharei meus olhos até você se sentir confortável pra voltar pra um abraço. 

Olhe o quanto quiser, e te garanto que jamais ficará entediado;
Olharei pro lado errado, se necessário, só pra te ver dançando engraçado.

Se meu olho está fechado, nem assim cego me ao seus lábios: eles sozinhos acalmam toda e qualquer insegurança pensável.

Olhe de cima pra baixo e veja que não sou nada demais.
Olhe de baixo pra cima e veja que sou demais e mais nada.

Olhe o meu peito batendo acelerado, querendo fazer algo pra não te ver não querendo mais me ter ao seu lado.

O futuro não pode se enxergado. Mas, por mais algumas semanas, ao menos, podemos tentar manter o embalo, afinal tá gostoso, tá tranquilo, tá favorável.

Tente não me olhar menos gostado; afinal ainda sou o mesmo jovem ousado do passado.
Medroso, mas disposto a tentar dar certo como seu namorado. 

Hoje, você deve estar machucado; queria eu que houvesse insulina capaz de desfazer o passado. 
Mas, como não há , espero que olhe meus olhos e perceba que valho a pena ser mais um pouco olhado.

Se decidir seguir sem olhar mais pra cá, continuarei te vendo com o mesmo olhar encantado, afinal lembrarei sempre do quanto gostei do tempo ao seu lado.


Poema editado - impessoal


Photo by Brooke Didonato

 Áudio 00 - Versão teste

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pensam; ali: mentir-se-á.

Penso que resisto, mas não tenho dúvidas que me iludo.
Se digo não,  é por querer mais do que um mero sim pode aguentar.
Rasgo me, mantendo me aos outros: intacto.
Verborragizo sobre coisas que não faço idéia o que são.
E do que sei,  não entendo direito como expressar.
Teorizo sobre práticas que eu sequer deveria vir a cogitar;
penso quando deveria somente estar,
e por muito fico quando já deveria ter deixado pra lá.

Maduro, mas, pivete ao primeiro confronto de opinião: pagão.
Esperto no se convencer que não cairá mais em tentação: cristão.
Tentação aceita por total empatia e por vil confabulação: paixão.

Conheci;  sem pensar em de fato me envolver.
Envolvi; sem espaço hábil onde me esconder ou de fato saber.
Inundei;  cego em um vazio que teima em me ter : viver.

Aterrorizante o quanto platonizo os quereres e como isso me encanta. 
Achares que de nada adiantam, mas nos quais mesmo assim ainda creio.
Jovem nas suas definições, mas decrépito nas reais situações.

Nosso, sem que a posse seja um fator negociável;
Livres, sem nunca do lado de fora ter estado.
E apaixonado até que me provém o contrário. 


Áudio- poema: https://soundcloud.com/ofindor/pensam-ali-mentir-se-a









terça-feira, 25 de abril de 2017

Clarício

Seu nome era Clarício; nome incomum em meio a recente homogenização cada vez maior de nomes, gostos e estilos que a sociedade teima em empurrar goela a baixo dos sonhadores, dos estranhos, dos doidos e daqueles tido como encrenqueiros.
Um menino-homem, relativamente alto, comedidamente belo e consensualmente esperto, que tenta se agarrar desesperadamente na sua jovialidade que vem sendo abastada dia após dia.
A força que antes sentia fora substituída por dores aqui e acolá; e quando somadas, se transformam em uma verdadeira horda irrefreável que o impede de poder sentir o mundo que o rodeia - como antes fazia e tanta falta lhe faz.
Cada novo dia é o início de mais um passo no caminho do fim - que por alguns momentos ele tanto quer que chegue logo.
Alguns pensarão que Clarício é um senhor por volta dos seus 60 ou 70 anos, tentando desesperadamente manter-se atado a sua lucidez e alegria de viver, porém, se assim o pensa, se engana, caro leitor.
Clarício tem meros 25 anos. Mas, se o víssemos por dentro, seria nítido que carrega as dores de toda uma geração.
Suas dores não são físicas e sim uma angústia trepidante que ele sente no fundo do seu peito; dores oriundas de quedas metafóricas que o aprisionaram em um estado de eterno processo de recuperação.
As feridas expostas se fecham com o tempo, mas ao menor sinal de movimento são escancaradas e voltam a causar uma dor que de tão forte parece que quebra a continuidade monótona do espaço-tempo e o desloca para um inferno escaldante de puro desgosto, sombras e infinidade - onde o próprio tempo é servo da desilusão e do medo.
Durante esses momentos sua vontade é só a de ficar perfeitamente parado, quieto, incomunicável, intocável... mas o pulsar acelerado de seu coração raramente permite um segundo sequer de respiro.
A velocidade insana de sua cabeça cria histórias mirabolantes em pequeníssimos instantes e o silêncio raramente lhe é concedido.
Durante as ditas crises, a palavra paz sequer faz sentido....
TO BE CONTINUE
By Wilian Junior

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O último topete

Ser um sonhador, ultimamente, demanda cada vez mais e mais, de cada centímetro de nosso âmago...


Houve um tempo em que mesmo em meio ao total caos, alguns conseguiam ver uma luz no fim do túnel e era essa luz que guiava as músicas dos apaixonados e norteava os que lutavam por um mundo melhor.


Hoje em dia, finge-se que estamos no meio dessa luz, que por tanto tempo e por tantos foi almejada: "tudo está perfeito", "isso é só mimimi", "já já essa crise passa", "acabou-se a fome e o analfabetismo", "estamos em paz; as guerras finalmente findaram", "hoje as pessoas são mais tolerantes"...


E enquanto esse discurso é amplamente propagado estamos cada vez mais abarcados pela corrupção.


E infelizmente não é só uma corrupção política ou social: é uma corrupção humana.


Uma corrupção que nas telas dos computadores parece tão desoladora, mas que quando salpica em nossas vidas é jogada para debaixo do tapete.


A verdade é que o mundo está cada dia mais preconceituoso e xenofóbico.


O mundo está em Guerra: milhares de pessoas pobres e periféricas perdem suas vidas diariamente enquanto tantos outros assistem calados.


Oito, repito: OITO bilionários têm juntos mais dinheiro que a metade mais pobre do mundo.


O analfabetismo das palavras foi trocado pelo funcional e político.


O pão e circo de outrora virou a grande gama de entretenimento que guia nossas vidas e nos entorpece: tantas divas pop, tantos novos seriados da Netflix para assistir...


Não devemos perder nossas esperanças num mundo melhor e menos ainda devemos parar de lutar ou deixar de nos divertir.


Afinal, a cada dia também aumenta o empoderamento dos viados, das mulheres, dos negros, dos pobres, dos nordestinos, dos transexuais... e de todos aqueles que a sociedade teima em tentar diminuir, invalidar e excluir.


Contudo, devemos perceber o mundo que nos rodeia para ficarmos menos suscetíveis as artimanhas que teimam em nos enfiar goela a baixo.


Entender que Black Mirror não fala de um futuro distópico e sim do agora, do hoje e até mesmo do ontem.


Dividir o país em coxinhas e petralhas é tão cômodo...


Não se pensa mais se a PEC é ou não boa pro país ou se a nova reforma do ensino médio ajudará os futuros cidadãos desse país, tudo o que importa é que isso é coisa de Petista, logo sou contra.


Aviões caem por pura coincidência do destino, os políticos fraudulentos são só os de partido x ou y, os estudantes de todo um país estão ocupando suas escolas e universidade por simples falta de conhecimento...


E por mais que você não acredite nessas coisas; cada vez mais e mais pessoas acreditam nelas e não enxergar isso é afundar num igual estado de cegueira.


Hoje decidi sair de um lugar que faz parte da minha vida a muito tempo, tanto tempo que nem me lembro de como era a minha vida antes dele.


Ali aprendi a lutar, aprendi a ver além e o mais importante me tornei quem eu sou hoje.


Ultimamente, foi ali, que vi discursos tão distantes das ações e onde me cansei de lidar com o descaso que os rodeiam...


" a construção deve ser coletiva, mas só se feita por aqueles que "eu" julgo dignos dela."


" deve existir respeito, mas para com aqueles que gosto, senão falarei e os farei mal e os rebaixarei com todos as minhas forças."


Não houve luta para eu ter ganho ou perdido; há somente um cansaço e deslocamento para com tudo isso.


Uma hora as crianças tem que ir á escola, e chegou minha hora de lutar de verdade contra esses falsos moralistas transvestidos em sorrisos doces e venenosos.


E a luz que me guia não é mais um futuro ideal e utópico e sim o olhar de pessoas incríveis e fabulosas que conheci nesse caminho.


Pessoas tão diferentes entre si e de mim, mas com as quais me identifico profundamente. Eu sinto o amor pulsando de suas veias e a luta refletindo nitidamente em suas faces; e sei que ali habita o mundo em que quero viver.


Não sei se ganhei tantos amigos quanto deveria, mas ganhei ídolos e ídolas, exemplos de vida, e irmãos de luta, sonhos, suor, porrada e bomba.


  

         "The lost ship", a photographic collaboration between Giannis Bouklis and DforDesign

sábado, 9 de julho de 2016

The cursed child - Parte 01

Vim pro mundo amaldiçoado.

Pesado?
Talvez.
Mas, infelizmente não tive escolha.

Nunca acreditei direito em superstições, mas sempre as temi:
nem por decreto deixo a chinela virada.

Minha maldição?
Faço com que as pessoas se apaixonem loucamente, seja carnal ou só como algum amigo deveras especial, por mim.

Me conhecem e as pessoas se vêem anestesiadas pelo meu jeito peculiar de ser e ver o mundo.
Elas se perdem em meio às minhas caras engraçadas e meus conselhos aparentemente amadurecidos.

Me amam, me acolhem, me aquecem, fazem com que eu me sinta a pessoa mais especial que já existiu nesse mundo.

Juras são feitas em nome da eternidade: um amor que nunca acabará;
uma amizade que durará para sempre .

E eu me encanto, me entrego e me vejo acreditando nesse fuor outra vez.

Não atraio pessoas ditas perfeitas;
me junto ao quebrado, ao desvinculado, ao perdido e ao virado.
Aprendo a amar cada um de seus defeitos e a ver beleza em cada andar mal planejado.

Amigos pra sempre...

Até que se vão...
Tudo em vão.

De noite, busco uma piada jogada, mas não há absolutamente nada.

Primeiro meu pai que tanto me amava, sumiu.
Nunca mais o vi.
Fiquei órfão de gente viva.
Doeu tão forte logo de cara; como o peito de uma mera criança pode aguentar tamanho vazio?

Depois tantos os outros morreram, tão rápido que nem percebi o instante da partida.
Um átimo.

Amores que conheci tão longe de casa e que não pude trazer quando retornei.
Ficaram pra trás,
Me deixaram pra trás:
Eu só queria paz.

Amizades de filme, costurados por anos a fio.
Até que um mero mal entendido a desfaz.
Simplesmente se vai...

Amiga temente a Deus, amantes descrente deles.
Todos distantes; sem nem ao menos um bom dia anual: um aceno de cabeça ou um mero abraço casual.


(To be Continue ( um dia desses, quando eu tiver disposto a terminar de escrever...)



Photo Falling by Amir Elshamy

domingo, 27 de março de 2016

“bam-bam-bans"

O tempo passa e pensamos estar crescidos...
Descobrimos que o papai noel do shopping nada mais é do que um homem qualquer de fantasia; que os únicos mamíferos que botam ovos são ornitorrincos e equidnas (#coelinhodapascoaisdead) e que nenhum homem do saco vem te pegar se fizer bagunça (por mais que um cara qualquer pode tentar te espancar na rua, mesmo você tendo sido um bom garoto a vida inteira).
Com a idade, vêm as responsabilidades e nos sentimos os “bam-bam-bans”.
Podemos decidir o que fazer da vida, dormir na casa dos amigos e depois de um tempo até dormir com os amigos (͡ ° ͜ʖ ͡ °).
Primeiro amores parecem ser os únicos; verdadeiros filmes da Disney (não os atuais e sim aqueles bem trashs mesmo, com "felizes para sempre" e todo o resto).
E no fim do namoro parece que as nossas vidas vão acabar junto com eles. Mas, continuamos vivos. Alguns demoram alguns dias, outros alguns anos, mas todo mundo supera e segue adiante. E se apaixona de novo, de novo e de novo.
(Claro que algumas pessoas desistem no caminho e acabam virando padres, outras deixam de crer no amor enquanto alguns morrem ao atravessar uma faixa de pedestre, mas a grande maioria sobrevive e segue adiante).
Pessoas surgem em nossas vidas e parecem que vão ficar nelas pra todo o sempre. "Seremos que nem em "Friends", morando juntos e casando uns com os outros..." Até que um dia nem lembramos mais delas, e temos que nos esforçar pra sequer recordar seus nomes.
O tempo vem e com ele paramos de acreditar que devemos ser perfeitos, aprendemos a aceitar aquela gordurinha aqui e acolá e descobrimos, a cada dia, um pouquinho mais de quem somos.
Hoje aprendi uma coisa a mais sobre mim.
Já faz um tempo que tive o desprazer de entender que uma galera sempre vai me odiar, por mais que eu tente ao máximo dar o meu melhor.
Descobri também, depois de muito esmurrar umas facas, que não sou um cara padrão e que não sou nada convencional.
Pra ser sincero sou bem louco até; mas quer saber de uma coisa? Eu aprendi a amar esse circo e a ver a beleza de cada um de seus palhaços. Tive que notar que meu lado barraqueiro nem sempre é ruim e que aproveitar uma "boa bad" tem lá suas vantagens.
Além disso, aprendi que vou errar e errar pra cacete. E, infelizmente, vou ferir pessoas que amo e ser machucado por elas.
É impossível viver (viver de verdade) sem que alguém, ao menos de vez enquanto, saia ferido. Contudo, hoje sei que o que importa não é o erro e nem a dor, e sim o que fazemos depois disso.
Amigos verdadeiros perdoam. E outros vezes, amigos que eram verdadeiros, o deixam de ser e nem por isso não vivemos algo incrível. Só que... passou.
Haaaaaa... A vida é tão complexa e tem dia que dá vontade de jogar tudo pra cima, mas isso nem é uma opção, né? - Ao menos que você seja um milionário dono de sua própria ilha - .
E o que eu aprendi hoje é que aquela velha história de deixar as coisas irem, realmente faz sentido. E não estou falando de um amigo, um namoro, um desafeto ou algo em específico não:
Tô falando em deixar o eu de antes e tudo aquilo que só existia nele ir embora.
E como é difícil desistir daquilo que já nem existe mais. Sei que nem ao menos faz sentido, mas "QUERIDA", isso as vezes é bastante difícil.
Porém, boa viagem:
* pra menina que era minha amiga, mas ao descobrir que eu era gay, ficou puta, disse que me amava e me julgou pacas;
* pro ex namorado de quem eu realmente queria ser amigo, mas que é um verdadeiro babaca comigo;
* pra'quele ex amigo que nunca fora de fato seu amigo, mas que você queria TANTO que fosse;
* pra vergonha de não ter um abdômen sarado;
* pras falsianes e pras fofocas eternas que sempre vão existir sobre mim. As fofocas vão continuar, mas não preciso me importar com elas;
* pra quem era apaixonado por mim e agora acha que eu sou um monstro devorador de criancinhas;
* e pra todo mundo e tudo que não me faz bem...
Mas, pera aí. Se você for uma criança e tá indo no banheiro cortar os pulsos por achar que virar adulto é uma total merda: FAZ ISSO NÃO. Afinal, pode acabar não morrendo e ainda tendo que viver o resto da vida com sequelas... (risos).
Brincadeira a parte, crescer também tem suas virtudes, afinal no momento em que decidimos dar adeus a todas essas coisas, você dá olá pra um mundo cheio de novas hipóteses e novos vocês. QUALQUER coisa pode acontecer; e não vai me dizer que isso não é absurdamente animador!
Podemos acabar virando panicats ou virar um meme na internet.
Além do que, a magia que na adolescência era sinônimo de imaturidade se mostrou mais real do que muitas outras coisas por aí.
E toda vez que:
* eu olho no sorriso doce e estonteantemente acolhedor do Daniel;
* ou quando a Anne larga o que tá fazendo pra me acompanhar até o hospital;
* ou quando a Thais para pra me dar o mesmo conselho pela infinita vez;
* ou quando a Bárbara garante que se nada der certo, é só nos casarmos e ponto final;
* ou quando o Pedro, me trás sorvete light de madrugada;
* ou o Alexandre e o Uadson vêm me dar broncas por eu estar fazendo papel de trouxa (#trouxiane);
* ou quando o Igor e eu sambamos na cara das inimigas com cara de trakinas;
* ou eu e o Rafael ficamos conversando sobre vida após a morte (#medinhodenaoternadadepoisdamorte);
* ou quando a Nayara e eu vamos a um lugar sem álcool e super comportado pra conversarmos (quis manter a fyna e não te comprometer #bomamigo);
* ou quando recebo um abraço da Claudia, vulgo melhor mãe do mundo...
Quando tudo isso acontece, a vida se mostra mais incrível do que um bom livro do Harry Potter (É claro que se existissem dragões e varinhas ela seria mais legal ainda (BEM MAIS LEGAL), mas...).
E é no meio de um bando de bicha recalcadas, de um zilhão de falsos amigos, vilões tapados e de textão no facebook, que vivo:
Nessa grande e divertida novela mexicana chamada minha VIDA.
Foto by Jose Luis Barcia (Ganhador da segunda colocação, na categoria "pessoas" do prêmio Ippa (iPhone Photography Awards))