sábado, 9 de julho de 2016

The cursed child - Parte 01

Vim pro mundo amaldiçoado.

Pesado?
Talvez.
Mas, infelizmente não tive escolha.

Nunca acreditei direito em superstições, mas sempre as temi:
nem por decreto deixo a chinela virada.

Minha maldição?
Faço com que as pessoas se apaixonem loucamente, seja carnal ou só como algum amigo deveras especial, por mim.

Me conhecem e as pessoas se vêem anestesiadas pelo meu jeito peculiar de ser e ver o mundo.
Elas se perdem em meio às minhas caras engraçadas e meus conselhos aparentemente amadurecidos.

Me amam, me acolhem, me aquecem, fazem com que eu me sinta a pessoa mais especial que já existiu nesse mundo.

Juras são feitas em nome da eternidade: um amor que nunca acabará;
uma amizade que durará para sempre .

E eu me encanto, me entrego e me vejo acreditando nesse fuor outra vez.

Não atraio pessoas ditas perfeitas;
me junto ao quebrado, ao desvinculado, ao perdido e ao virado.
Aprendo a amar cada um de seus defeitos e a ver beleza em cada andar mal planejado.

Amigos pra sempre...

Até que se vão...
Tudo em vão.

De noite, busco uma piada jogada, mas não há absolutamente nada.

Primeiro meu pai que tanto me amava, sumiu.
Nunca mais o vi.
Fiquei órfão de gente viva.
Doeu tão forte logo de cara; como o peito de uma mera criança pode aguentar tamanho vazio?

Depois tantos os outros morreram, tão rápido que nem percebi o instante da partida.
Um átimo.

Amores que conheci tão longe de casa e que não pude trazer quando retornei.
Ficaram pra trás,
Me deixaram pra trás:
Eu só queria paz.

Amizades de filme, costurados por anos a fio.
Até que um mero mal entendido a desfaz.
Simplesmente se vai...

Amiga temente a Deus, amantes descrente deles.
Todos distantes; sem nem ao menos um bom dia anual: um aceno de cabeça ou um mero abraço casual.


(To be Continue ( um dia desses, quando eu tiver disposto a terminar de escrever...)



Photo Falling by Amir Elshamy

domingo, 27 de março de 2016

“bam-bam-bans"

O tempo passa e pensamos estar crescidos...
Descobrimos que o papai noel do shopping nada mais é do que um homem qualquer de fantasia; que os únicos mamíferos que botam ovos são ornitorrincos e equidnas (#coelinhodapascoaisdead) e que nenhum homem do saco vem te pegar se fizer bagunça (por mais que um cara qualquer pode tentar te espancar na rua, mesmo você tendo sido um bom garoto a vida inteira).
Com a idade, vêm as responsabilidades e nos sentimos os “bam-bam-bans”.
Podemos decidir o que fazer da vida, dormir na casa dos amigos e depois de um tempo até dormir com os amigos (͡ ° ͜ʖ ͡ °).
Primeiro amores parecem ser os únicos; verdadeiros filmes da Disney (não os atuais e sim aqueles bem trashs mesmo, com "felizes para sempre" e todo o resto).
E no fim do namoro parece que as nossas vidas vão acabar junto com eles. Mas, continuamos vivos. Alguns demoram alguns dias, outros alguns anos, mas todo mundo supera e segue adiante. E se apaixona de novo, de novo e de novo.
(Claro que algumas pessoas desistem no caminho e acabam virando padres, outras deixam de crer no amor enquanto alguns morrem ao atravessar uma faixa de pedestre, mas a grande maioria sobrevive e segue adiante).
Pessoas surgem em nossas vidas e parecem que vão ficar nelas pra todo o sempre. "Seremos que nem em "Friends", morando juntos e casando uns com os outros..." Até que um dia nem lembramos mais delas, e temos que nos esforçar pra sequer recordar seus nomes.
O tempo vem e com ele paramos de acreditar que devemos ser perfeitos, aprendemos a aceitar aquela gordurinha aqui e acolá e descobrimos, a cada dia, um pouquinho mais de quem somos.
Hoje aprendi uma coisa a mais sobre mim.
Já faz um tempo que tive o desprazer de entender que uma galera sempre vai me odiar, por mais que eu tente ao máximo dar o meu melhor.
Descobri também, depois de muito esmurrar umas facas, que não sou um cara padrão e que não sou nada convencional.
Pra ser sincero sou bem louco até; mas quer saber de uma coisa? Eu aprendi a amar esse circo e a ver a beleza de cada um de seus palhaços. Tive que notar que meu lado barraqueiro nem sempre é ruim e que aproveitar uma "boa bad" tem lá suas vantagens.
Além disso, aprendi que vou errar e errar pra cacete. E, infelizmente, vou ferir pessoas que amo e ser machucado por elas.
É impossível viver (viver de verdade) sem que alguém, ao menos de vez enquanto, saia ferido. Contudo, hoje sei que o que importa não é o erro e nem a dor, e sim o que fazemos depois disso.
Amigos verdadeiros perdoam. E outros vezes, amigos que eram verdadeiros, o deixam de ser e nem por isso não vivemos algo incrível. Só que... passou.
Haaaaaa... A vida é tão complexa e tem dia que dá vontade de jogar tudo pra cima, mas isso nem é uma opção, né? - Ao menos que você seja um milionário dono de sua própria ilha - .
E o que eu aprendi hoje é que aquela velha história de deixar as coisas irem, realmente faz sentido. E não estou falando de um amigo, um namoro, um desafeto ou algo em específico não:
Tô falando em deixar o eu de antes e tudo aquilo que só existia nele ir embora.
E como é difícil desistir daquilo que já nem existe mais. Sei que nem ao menos faz sentido, mas "QUERIDA", isso as vezes é bastante difícil.
Porém, boa viagem:
* pra menina que era minha amiga, mas ao descobrir que eu era gay, ficou puta, disse que me amava e me julgou pacas;
* pro ex namorado de quem eu realmente queria ser amigo, mas que é um verdadeiro babaca comigo;
* pra'quele ex amigo que nunca fora de fato seu amigo, mas que você queria TANTO que fosse;
* pra vergonha de não ter um abdômen sarado;
* pras falsianes e pras fofocas eternas que sempre vão existir sobre mim. As fofocas vão continuar, mas não preciso me importar com elas;
* pra quem era apaixonado por mim e agora acha que eu sou um monstro devorador de criancinhas;
* e pra todo mundo e tudo que não me faz bem...
Mas, pera aí. Se você for uma criança e tá indo no banheiro cortar os pulsos por achar que virar adulto é uma total merda: FAZ ISSO NÃO. Afinal, pode acabar não morrendo e ainda tendo que viver o resto da vida com sequelas... (risos).
Brincadeira a parte, crescer também tem suas virtudes, afinal no momento em que decidimos dar adeus a todas essas coisas, você dá olá pra um mundo cheio de novas hipóteses e novos vocês. QUALQUER coisa pode acontecer; e não vai me dizer que isso não é absurdamente animador!
Podemos acabar virando panicats ou virar um meme na internet.
Além do que, a magia que na adolescência era sinônimo de imaturidade se mostrou mais real do que muitas outras coisas por aí.
E toda vez que:
* eu olho no sorriso doce e estonteantemente acolhedor do Daniel;
* ou quando a Anne larga o que tá fazendo pra me acompanhar até o hospital;
* ou quando a Thais para pra me dar o mesmo conselho pela infinita vez;
* ou quando a Bárbara garante que se nada der certo, é só nos casarmos e ponto final;
* ou quando o Pedro, me trás sorvete light de madrugada;
* ou o Alexandre e o Uadson vêm me dar broncas por eu estar fazendo papel de trouxa (#trouxiane);
* ou quando o Igor e eu sambamos na cara das inimigas com cara de trakinas;
* ou eu e o Rafael ficamos conversando sobre vida após a morte (#medinhodenaoternadadepoisdamorte);
* ou quando a Nayara e eu vamos a um lugar sem álcool e super comportado pra conversarmos (quis manter a fyna e não te comprometer #bomamigo);
* ou quando recebo um abraço da Claudia, vulgo melhor mãe do mundo...
Quando tudo isso acontece, a vida se mostra mais incrível do que um bom livro do Harry Potter (É claro que se existissem dragões e varinhas ela seria mais legal ainda (BEM MAIS LEGAL), mas...).
E é no meio de um bando de bicha recalcadas, de um zilhão de falsos amigos, vilões tapados e de textão no facebook, que vivo:
Nessa grande e divertida novela mexicana chamada minha VIDA.
Foto by Jose Luis Barcia (Ganhador da segunda colocação, na categoria "pessoas" do prêmio Ippa (iPhone Photography Awards))

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

.segredos

Ao fechar os olhos, imagens quaisquer tomam meu sossegar.

Enquanto o mundo sonha, estou preso ao mais sombrio passar.

Não existe sequer um feixe de luz,
nem um resquício de sorrisos,
ou um prelúdio qualquer do amor.

A dor é visível; transformada de um mero conceito, pra uma forma física complexa e estranhamente sedutora.

Ela brinca com minhas neuroses e arrepia qualquer pelo que veja pela frente.

Sinto-a deslizar seus dedos por entre euforias e mutacionar-nas em finais dos mais genéricos possíveis.

Amores não são mais o bastante, não os são o suficiente, não são nem ao menos reais: banais.

A sorte foge de mim e se esbarra em qualquer outro pedaço de vida, afinal nem vivo mais estou:
a morte se faz presente no meu semblante vazio e na minha dor infernal.

Tento gritar, mas qualquer melodia também se esvaiu de mim.
Tento... até parar de tentar e , imóvel, simplesmente aceitar o nada a me espreitar.

De súbito, acordo e me liberto dessa cadeia onírica com que minha mente teima em me presentear...

A dor passa, os amores voltam e a vida me preenche; mas mesmo assim, o vazio parece continuar todo por lá.

Wilian Junior