domingo, 30 de agosto de 2015

Just saying - Comida (I)

Mundo, doce mundo, mas não tão doce assim;

Finalmente parei com as fuleragens de sentimentos homéricos em poesias lacônicas. Parei com as dores de corno e com os prazeres da carne (#safadinho), com os "ménage a trois" e com a castidade cristã, com os sorrisos marotos e com a sofrência pabloniana.

Simplesmente parei com essa bobagem toda.

E me voltei para o que verdadeiramente importa nesse mundo viciado e viciante.

Falarei de culinária; afinal Master Chef Brasil está bombando e esse assunto realmente mexe com a vida de todo mundo. (Fica aqui a dica de que Master Chef Australia é BEM MELHOR que o do Brasil. Acredite! E aquela Ana Paula Padrão devia ficar quietinha no fundo dançando macarena ao invés de atrapalhar a bagaça toda. E me pergunto: Cadê galera fazendo manifestação na rua pra tirar ela do programa? Cadê? #achonecessario)

Seja uma criança desafortunada que sonha com um pedaço de pão velho ou um obeso magnata tentando comer mais salada ao invés do bom e velho "cordon bleu" de todo dia, todos comemos, desde bebês famintos até idosos desdentados, de vegetarianos ativistas até religiosos xiitas, de fungos decompositores até os dragões da Daenerys.

Tá bom! Nem todo mundo assim: afinal tem aqueles caras que vivem só de luz e acho que o Jack Bauer também não deve ter muito tempo pra isso nas suas poucas 24 horas de existência por temporada. Mas, dá pra entender o meu ponto.

Começemos pela infância...

Assim que nascemos, enquanto ainda somos meras máquinas de cagar, chorar, engolir e sermos fofos, já apreciamos comer.

Antes mesmo de falarmos, já esperneamos pra que nossos pais venham logo nos alimentar. E olha que as opções não são muitas. Viemos ao mundo numa realidade quase que cruel; só bebemos leite por um longo período de tempo. Não dá nem pra botar um pouco de Nescal ou Nesquik (Deixar claro que não sou contra a amamentação não, tá? Senão, daqui a pouco vai ter umas dezenas de pessoas vindo me acusar de ser contra a família tradicional e a favor do aumento da maioridade penal ;p).

Com o passar do tempo, as coisas ficam cada vez mais e mais complexas. Toda vez que vamos beber leite, temos infinitas combinações possíveis para tal. Sério, sou quase-físico e sei que deve ter umas milhares, senão milhões de possibilidades de como podemos beber nosso leite. Leite com Nescau, com Toddy, com Nesquik, com bastante Kero, com um pouco só de canela, misturado com Whey protein, leite quente, leite frio, desnatado, integral, na xícara, na caneca, direto da fonte (#querleitinho by: Lubatv)...

São tantas as combinações que me pergunto: "Como somos capazes de escolher uma forma só de beber nosso leite?"

Alguns vão escolher sua forma predileta, de modo cabalístico, e vão repetir um padrão por toda a sua vida. Outros, por sua vez, vão tentar, sempre que possível, experimentar novas combinações e sabores.

Além disso, outra complicação ainda maior surge: Quando bebes, só nos basta chorar pra que nos enfiem uma teta na boca e somos alimentados. Com o passar do tempo temos que nós mesmos pegar a caixinha na geladeira e colocar o leite na xícara e quando a caixa esvazia, temos que ir até a dispensa pegar outra. Sei que isso não parece nada muito complexo, mas se compararmos ao que tinhamos antes: "PUXA VIDA, ficou bem mais hard". Mais pra frente, temos que pagar por uma simples e deliciosa caixa de todinho e se não passarmos no supermercado, os leites da dispensa ACABAM.

Minha intenção não é causar depressão em ninguém, por isso vou seguir minha importante reflexão por outra direção.

"Dizem" que as mães francesas deixam os bebes chorarem a noite para que eles aprendam que não adianta dar "piti" pra conseguir o que querem. (Nunca tinha usado essa palavra "piti" antes, mas, acho que está grafada corretamente - ao menos achei ela escrita assim quando procurei no google). Se ao levantarmos de madrugada pra dar de mamar ao nossos filhos, estamos os mimando ou não, não sei de fato, aliás, não sei nem se essa história das francesas é verdadeira ou não afinal conheci poucos franceses (só posso dizer que eles nem fedem tanto quanto dizem por aí), porém uma coisa é fato, já começa nesse período de nossas vidas o nosso apego, às vezes menor, às vezes doentio, pela comida.

Ps:. Quero deixar claro que usei "nossos filhos" só pra criar uma empatia no texto, contudo, na minha atual realidade, não me vejo cuidando nem de um peixinho beta no meu futuro.

Por hoje, vou dormir, porque já passa de uma da manhã e ainda quero escrever um poema depois de ler um texto de um dos meus ex f.d.p. (Duas coisas importantes sobre a última frase: Sim, o plural de ex, quando esse funciona como substantivo, é "ex" mesmo e não "exes" , como eu achei que seria: Fonte: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-plural-de-o-meu-ex/30320 -  segundo, sim, tenho vários ex fdp, mas nem todos os são, outro dia qualquer falo sobre isso).

Depois termino minha divagação sobre comida. E tenha certeza que depois de ler tudo o que penso sobre o assunto, sua concepção de mundo mudará drasticamente.

Boa noite.







sexta-feira, 3 de julho de 2015

2015 (Parte 01)

Acordei; e quando olhei no espelho eu não me via mais.
Só via o seu reflexo gritando em minha tez.

Comecei minha jornada como um mero aprendiz do mundo.
Na inocência, me joguei dos mais altos penhascos e cai, julgando-me voar.

A cada segundo minha pele endurecia e meu peito se tornava mais massa que movimento.
Eu morria tentando salvar um mundo do qual eu nem ao menos pertencia.
Minha voz ecoava somente em minha mente, enquanto os outros  desprezavam toda a minha agonia.

Eu era um paladino de verdades mortas e sentimentos pífeos.
O amor era o meu sentido e doei cada gota da minha sanidade tentando fazê-lo pulsar na alma dos incrêdulos.

Mas, por dentro, eu era oco.
Sentia o vazio que preenchia toda a vastidão de mim.
Minhas asas então, ruflaram de par em par e cai bem perto da lua do mar.

A loucura virara minha única amante e os pesadelos meus únicos ouvintes.
"Saia de perto" : Senão corroerei seus vislumbres e te devorarei nas sombras.

Agora eu era você; porém uma versão mais você do que sua mediocriadade parnasiana jamais te permitiria ser.
Me vi jogado à traças que não tinham dó de minhas lágrimas ou pesares da minha morte.

Não nego que me diverti sendo você.
Vendo o meu redor girar e minha garganta rir de qualquer zunir eloquente.
Sentindo-me o rei do mundo, quase um Deus rodeado de vassalos e objetos que eu usava como entretenimento.

O mundo era simples e as verdades prazeres.
O toque não precisava de razão, somente de uma emoção qualquer.

Mas, como sempre, cometi o erro de voltar a ser eu...

(To be continued)

Wilian Junior

segunda-feira, 29 de junho de 2015

.caminho

foi ontem que te conheci.

vi no seu olho uma chama quase mágica que me chamava ...
sabia meu nome, gostos, pânicos e algazarras.

vi em ti minha felicidade, meu sorriso, meu eterno inquietamento acolhedor; um sonho que de tão perto era de fato tentador.

ponderei por menos que um milésimo e como um louco eu te segui.

eu Fui.
entre escombros e ladeiras eu Persisti, Cai e Sobrevivi.

por um momento eu tinha tudo e depois disso te vi Partir.

acordei tendo seu gosto nos meus lábios e fui deitar-me com um vazio dilacerante em meu peito: Sofri.

mas, hoje já Pereci.
me Rasquei, Travei, Trassei e me Reassumi.

percebi que a DOR é tão bela quanto o próprio AMOR e que ela pode ser a nossa maior aliada, nosso verdadeiro ardor.

Dela podemos ser livres.
E com ela podemos ser incríveis.

- poder chorar é tão bom quanto saber sorrir -

em seu sorriso hoje sinto o voar de mim mesmo...
em meus pensamentos vejo todos os futuros e me delicio com cada um deles...

em mim, me perco, me jogo e me retumbo.

Ontem, fui seu.
Hoje sou meu.
E amanhã?

Pretendo ser de um mundo inteiro.

Wilian Jr.


domingo, 12 de abril de 2015

Will von Trier


Parte 1'0: Ele

Mesmo que todo o cosmo pare agora e tente;
Nunca será possível criar um ser com sorriso tão belo: etéreo.
Uma distância inerente perpassa seu corpo e desprende em sua voz nada latente.
Arrepia-se no afeto, engrande-se no afago e encanta no ato: desacato.
Uma fragilidade infantil respalda-se numa virilidade quase vil: febril.
Um cérebro pulsante que em face ao mundo convive no mais tênue deslumbre: incólume.
Com o dom do sentir e de se fazer sentido; pelo abraço conseguiria dominar o mundo, qualquer esse que fosse: doce.
Sua pele exala o conforto que muitos buscam em batalhas homéricas; pelo olhar claro e profundo; domina: turbina.
O real não o preenche, mas o virtual o compreende, o entende : o pertence.
Descalço, nutrido, desnudo: vedado, atado, comtemplado.

Ps:. Gosta de laranjas


Parte 2'0: Eu

Em meio ao laço, transpasso.
Em meio à busca, desfaço.
Em meio à mim, cansaço.
Em meio ao nada, cabaço.
Em meio ao inóspito: devasso.

Ps:. Prefere mexericas.


Parte 3'0: Desfexo

Em nada no seu mundo sou real; um mero qualquer num mundo mental.
Sem dor ou sentires, medo ou receio, balanço ou descanso: avanço, mas não ando.
Em três, quatro ou dez dias, ou meses ou horas, a figura irá se dissolver de seus faróis e as palavras se dissolverão de seus anzóis.
Já consumado, pensado, visado, tocado: trocado.
O suor no beco se seca, o toque em outro se busca, o conforto se esquece; em espécie.
Em uma busca infinita que nem ele conhece; se perde, e se acha, e morre, renasce, volta, revoga, encontra, desanda...
Já não creio em histórias melosas, romantismo ou empirísmo: a vida é um jogo e nela ele é o espaço enquanto tantos outros são meros jogadores do acaso.
Se a mim fosse concedido o tempo, levaria ele pro outro lado do mundo e o faria meu eterno alado. Mostraria a ele o outro lado e o convenceria de que tudo pode ser encantado.
Afagado pra sempre em minhas mãos, já tão calejadas, ele simplesmente o seria: viveria.

Obrigado por me ensinar a jogar esse jogo mais complexo que o próprio mar,
Obrigado por me fazer pensar, sentir e me colocar nesse outro lugar,
Obrigado por me ter feito deslumbrar e te encontrar...

Obrigado.

sábado, 21 de março de 2015

"Lágrima"

"Do peito broto e não mais nos olhos esmaeço."

As visceras se rompem e conseguem derreter meus sentidos.

"Minha fluidez transpassa e solidifica-se no mais fundo d'alma."

Algo está preso em jaulas que desconheço em mim; sinto o cimentar preencher meu respirar.

"Me debato e cristalizo-me ferindo qualquer singelo vazio que encontro."

Me inflo em pesares e me desnorteio em meio a um fuzilamento nobre de amargos a muito já esquecidos.

"Por desespero: me vazo. Rompo com qualquer sorriso e desestabilizo até o mais fixo andar. 
Invado, estrago, maltrato.."

Choro.
Morro.


"Volto"...

My Birdman - ou a inexplicável luta pela não ignorância.

Não sei como o resto do mundo se vê no espelho, mas eu me vejo com uma grande missão a cumprir.

É como se eu fosse predestinado, ou melhor, como se eu tivesse o potencial de ser e fazer o que eu quiser.

Parece que fui escolhido pra ser alguém que será lembrado para sempre.

Alguém que dará exemplos e que criará novos mundos dentro desse mundo, ora limitado, ora estonteantemente infinito.

Não encare como arrogância ou prepotência; está mais para pânico.

Tudo isso está bem ali, em frente dos meus olhos, mas não sei aonde de fato está, como chegar e nem ao menos o que é.

A escuridão que perpassa e circunda tal grandiosidade , me cega em confusão e desepifania mental.

Tem horas que a perda desse destino que nem sei qual é, me assombra.

Tenho medo de perder o que nem sequer cheguei a pensar a ter.



sábado, 14 de março de 2015

Maturação.

A Vacância que preenchia, ou melhor; que se esvaía em meu peito, agora se desfaz em total plenitude.

O espaço que antes faltava, agora me é tido por mim mesmo. Me tido, me dado, me configurado: não mais salvo ou precisado.

Só mais um mero estado, um estado qualquer, qualquer estado.

O pedaço que sobra é o mesmo que antes parecia faltar.

A distância infinita continua, mas minhas passadas se tornaram maiores que qualquer imensidão.

O tropeço não é abismal. É quase que flutuante, amedrontador, cativante, calmo, bestial.

O olhar que vagava é o mesmo que em minha nuca me palidece sem nenhum falso altar. Me define sem precisar de nenhuma palavra, conceito ou mal estar.

Beleza... Beleza que cega não por ser vista, mas por me tocar. Beleza que consegue mesmo na total escuridão beijar meu âmago e produzir um bobo e singelo sorriso.

Ô vida! Que honra em seus rumos bizarros e desencontrados poder rumar. E que o medo me arremate com toda a força, pois só assim vou poder em mim, não mais "dejavuerizar" e começar.

Simplesmente começar, terminar, começar, voltar e poder plenamente, agora, estar.