domingo, 2 de novembro de 2014

Perdi-ção

Não sei porque e nem o que mudou, mas não quero mais estar aqui. Já fugi de mim mesmo e nem ao menos percebi; só que não consigo mais voltar e nem sei de fato de onde eu vim.

Se soubessem como dói estar ao esmo, vagando na mais pura monocromasia humana.

Me perdi em meio a defeitos que teimam em me consumir, me perdi por entre o Eu que eu não quis admitir;
nunca nem ao menos o vi refletido de esguelha sobre meus olhos nada varonis.

A cada segundo, o dia se esfarela em momentos não mais tão confortáveis.

Seja com alguém, seja só, seja no meio da multidão pulsante; universal; paradoxal; paternal… da qual parece que todos fazem parte.

Todos, mas eu NÃO.

Eu sinto como se não merecesse estar aqui, como se minha presença já tivera sido superada, arrependida, reiterada…

Queria eu poder voltar a sorrir sem ter que sentir o amargo que este me traz a boca.
O arrepio que sinto nestes instantes vêm de uma tristeza tão profunda que me adormece em meio ao nada.

Não quero ser mais do que sou, mas o que sou não me é o bastante e o que já fui não voltará em nenhuma hipótese. Estou aqui, querendo estar em qualquer outro lugar, todavia sei que nenhum lugar do mundo poderia me preencher e aceitar com todas as minhas falsas regalias e torpes cidadanias.


Na verdade, eu sinto que erro só em respirar.

Queria hoje ser normal.. e isso dói; como dói. A normalidade nada mais é do que a castração de quem eu sou.
Se homogenizar, é perder o que sinto e o pelo que um dia lutei.
É morrer e ser forçado a mendigar por minha essência.
É desistir e me mumificar num caminho que nem sei aonde terminará.
Minhas verdades se afundaram, ressurgiram, morreram, se beatificaram, se endiabraram e hoje nem sei mais o que são.



O que sinto não tem a completude que se espera de um pensamento e muito menos tem a sintonia ritmada que deveria existir numa música de amor.



O pânico me preenche e faz com que qualquer outra coisa que esteja no caminho desista de lutar.




Tenho medo de me olhar e ser sugado por tamanha frieza paralelizada ao calor que me incendeia.
Não quero falar e o silêncio cega minha alma. Cega minhas dúvidas, nutre meus devaneios, decapita minhas bandeiras, distorce meus semblantes.


Quando eu olho no seu olho, vejo que o universo inteiro se transformou num ponto [não mais belo e menos infinito que o antes “tudo”, afinal, um ponto é formado por tantos outros pontos quanto quisermos: Só que ainda não passa de um ponto]. Olho-te e vejo o meu reflexo berrando e nele vejo o mesmo ponto diminuto e estriado, se bifurcando e se afinando.

O orgulho e a força que eu sentia de mim, sumiu e ecoa no jeito que sua íris me bofeteia.


Poderia eu lutar? Plausível. Porém, força nenhuma me resta.
                                                         força nenhuma quero ter.

Quero simplesmente cair,
                                    mesmo que o chão
                                                               nunca me afague
                                                                                    com sua estabilidade e firmeza.


Perdi a minha razão e quero me perder na mais perdida das perdições.

Quero me sujar e não me banhar; pois, a água evaporou em meio ao meu nonsense caminhar.


Mas, o que sinto afinal?


Quando me vejo no espelho quero ressurgir; quando te vejo fico em êxtase e começo daqui. Tudo some e minha loucura não me detêm mais.
Mas, quando me deito a dor da solidão que me assola me definha.
Não seria melhor fugir do que cair em minha mediocridade?
Tantos já viveram, tantos já sentiram, tantos já, tantos. Já? Como passaram por tamanha agonia?


Quero paz, mas mais do que isso, quero estar disposto a ir.
Minha bagagem pesou tanto que não consigo pô-la no meu ombro, mas cada um dos seus itens me parecem essenciais.

Minha loucura deixou de ser uma mera musa enjaulada e a vi tilintando da sua nuca ao seu calcanhar. Vejo-a nas palavras, vejo no olhar e no como sou o paspalho não mais a brilhar.
Porém, te digo que a loucura que me bofeteia, é a mesma que me “quorquiriza”, é a mesma que me tira do esmo, me sobressai, me chicotei.


M
E
N
T
I


Mas, a mentira maior foi pra mim mesmo.
                   Neguei meu definho e cavalguei sob minha falsa maturação.
                                     Se dos loucos o mundo pertence, me sinto membro desse desvario indecente.



                        Coração valente não desiste, mas para tal preciso estar em mim.
                                       valente não abandona, seus vermelhos sensatos se vão.
                                                            abandona só quem não sentiu a solidão.
                                                                                  quem já algo sentiu?
                                                                                                         sentiu?




Wilian Junior