Não sei porque e nem o
que mudou, mas não quero mais estar aqui. Já fugi de mim mesmo e
nem ao menos percebi; só que não consigo mais voltar e nem sei de
fato de onde eu vim.
Se soubessem como dói
estar ao esmo, vagando na mais pura monocromasia humana.
Me perdi em meio a
defeitos que teimam em me consumir, me perdi por entre o Eu que eu
não quis admitir;
nunca nem ao menos o vi refletido de esguelha sobre meus olhos
nada varonis.
A cada segundo, o dia
se esfarela
em momentos não mais tão confortáveis.
Seja com alguém, seja
só, seja no meio da multidão pulsante;
universal; paradoxal; paternal… da qual parece que todos
fazem parte.
Todos,
mas eu NÃO.
Eu sinto como se não
merecesse estar aqui, como se minha presença já tivera sido
superada, arrependida, reiterada…
Queria eu poder voltar
a sorrir sem ter que sentir o amargo que este me traz a boca.
O arrepio que sinto
nestes instantes vêm de uma tristeza tão profunda que me adormece
em meio ao nada.
Não quero ser mais do
que sou, mas o que sou não me é o bastante e o que já fui não
voltará em nenhuma hipótese. Estou aqui, querendo estar em qualquer
outro lugar, todavia sei que nenhum lugar do mundo poderia me
preencher e aceitar com todas as minhas falsas regalias e torpes
cidadanias.
Na
verdade, eu sinto que erro só em respirar.
Queria
hoje ser normal.. e isso dói; como dói. A normalidade nada mais é
do que a castração de quem eu sou.
Se
homogenizar, é perder o que sinto e o pelo que um dia lutei.
É morrer
e ser forçado a mendigar por minha essência.
É
desistir e me mumificar num caminho que nem sei aonde terminará.
Minhas
verdades se afundaram, ressurgiram, morreram, se beatificaram, se
endiabraram e hoje nem sei mais o que são.
O que
sinto não tem a completude que se espera de um pensamento e muito
menos tem a sintonia ritmada que deveria existir numa música de
amor.
O pânico
me preenche e faz com que qualquer outra coisa que esteja no caminho
desista de lutar.
Tenho
medo de me olhar e ser sugado por tamanha frieza paralelizada ao
calor que me incendeia.
Não
quero falar e o silêncio cega minha alma. Cega minhas dúvidas,
nutre meus devaneios, decapita minhas bandeiras, distorce meus
semblantes.
Quando
eu olho no seu olho, vejo que o universo inteiro se transformou num
ponto [não mais belo e menos infinito que o antes “tudo”,
afinal, um ponto é formado por tantos outros pontos quanto
quisermos: Só que ainda não passa de um ponto].
Olho-te e vejo o meu reflexo berrando e nele vejo o mesmo ponto
diminuto e estriado, se bifurcando e se afinando.
O orgulho e a força que eu sentia de mim, sumiu e ecoa no jeito que sua íris me bofeteia.
O orgulho e a força que eu sentia de mim, sumiu e ecoa no jeito que sua íris me bofeteia.
Poderia eu lutar?
Plausível. Porém, força nenhuma me resta.
força nenhuma quero
ter.
Quero simplesmente
cair,
mesmo que o chão
nunca me afague
com sua estabilidade e firmeza.
Perdi a
minha razão e quero me perder na mais perdida das perdições.
Quero me
sujar e não me banhar; pois, a água evaporou em meio ao meu
nonsense caminhar.
Mas,
o que sinto afinal?
Quando
me vejo no espelho quero ressurgir; quando te vejo fico em êxtase e
começo daqui. Tudo some e minha loucura não me detêm mais.
Mas,
quando me deito a dor da solidão que me assola me definha.
Não
seria melhor fugir do que cair em minha mediocridade?
Tantos
já viveram, tantos já sentiram, tantos já, tantos. Já? Como
passaram por tamanha agonia?
Quero
paz, mas mais do que isso, quero estar disposto a ir.
Minha
bagagem pesou tanto que não consigo pô-la no meu ombro, mas cada um
dos seus itens me parecem essenciais.
Minha
loucura deixou de ser uma mera musa enjaulada e a vi tilintando da
sua nuca ao seu calcanhar. Vejo-a nas palavras, vejo no olhar e no
como sou o paspalho não mais a brilhar.
Porém,
te digo que a loucura que me bofeteia, é a mesma que me
“quorquiriza”, é a mesma que me tira do esmo, me sobressai, me
chicotei.
M
E
N
T
I
Mas, a mentira maior foi pra mim mesmo.
Neguei meu
definho e cavalguei sob minha falsa maturação.
Se dos loucos o
mundo pertence, me sinto membro desse desvario indecente.
Coração valente não
desiste, mas para tal preciso estar em mim.
valente não
abandona, seus vermelhos sensatos se vão.
abandona só
quem não sentiu a solidão.
quem já algo
sentiu?
sentiu?
Wilian
Junior