segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A Brewtiful love - Ato I

Há! O amor...                                                                                                                                                    

Quando:

o coração esquenta e se sente um frio lá no fundo da espinha;

a respiração fica ofegante e a vontade de ficar abraçado por dias a fio aflora;

todos os medos se dissolvem pelo menor dos sorrisos;

enquanto todo o universo pulsa dentro de cada centímetro do corpo.                                                           

Já faz muito que deixei de acreditar no amor dos contos de fadas.

Mas, passei a acreditar em algo ainda mais especial e único:

Um encontro de almas.                                                                                                                                  

Almas perdidas, sofridas e imperfeitas que se encontram e por mesmo que por um átimo se tornam uma:

as palavras deixam de ser necessárias e o viver inunda;

os sonhos saem dos pensamentos e se tornam palpáveis;

na boca fica o gosto das melodias que te fazem lembrar dele;

e mesmo no total escuro uma fragrância permanece e é capaz de arrepiar a integridade dos pelos.            

"Onde você está? Você prometeu que voltaria, mas faz tanto tempo! Você se perdeu? Aconteceu alguma coisa com você?" [From: Wolfwalkers]                                                                                                        

Sorte é quando o amor resiste e persiste. Mas, é não menos especial quando passa, mas marca profundamente cada viela que percorre. 

O amor é por ele, mas é meu e existe em mim pra além de qualquer resposta ou volta.                              

Raro é quando o amor responde e volta.

Mas, é não menos marcante quando na memória ecoa e gera uma felicidade cintilante e única.

O amor é com ele, mas é também em mim e o transbordar de um excesso de carinho que quer jorrar do meu peito.                                                                                                                                                      

Amo-o exatamente como ele é, sem cogitar mudar nenhum defeito [que por mais que eu não veja agora, deve, com certeza, existir] 


"A simetria é tão sem graça

.e muito tosca

. e quero me jogar nesse azul

.no infinito desses braços

.pois aqui me sinto livre

.eu aqui me sinto em casa

.eu aqui me sinto inteiro"


Contudo preciso dizer que tem horas que a pressão do meu sangue se esvai e até mesmo respirar parece uma tarefa hercúlea.

Na distância o silêncio ensurdece e o lidar com o talvez efêmero ou inalcançavel corta a carne.                

Mas, mesmo assim vale a pena. 

Vale toda a pena que existe pra valer 

e perdura o amor... em mim, pra ele, por mim e em todo lugar.                                                                    

:. e eu espero que esse amor floresça lá também e ressoe de volta ao meu peito.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A bofetada

Estima-se que no universo existem mais de 10 sextilhões de estrelas. ✨  

Só na Terra existem aproximadamente 10.000.000.000.000.000.000 de insetos escondidos por aí... 🐛🪲🪰🪳🦟🦗

E nessa imensidão de existências, parece absurdo acreditar que algumas conexões são predestinadas ou especiais.

Mas, eu, com meus 86 bilhões de neurônios, creio que pra mais do que um destino rígido existe uma beleza ímpar no podermos escolher nos entregar e nos conectarmos.

Não sei porque não me apaixono pelo tio da padaria ou pelo rapaz que flerta comigo no ônibus...

Contudo, eu sei que quando meu peito aperta e minha barriga se inunda de joaninhas 🐞 : esse sentimento é uma das coisas mais formidáveis que posso vir a sentir. 

O motivo de ser por você ? 

Talvez em outras vidas tenhamos tido uma longa história de amor e eu só tenha sentido o eco das nossas antigas existências...

Ou talvez eu tenha olhado tão fundo nos seus olhos que tenha conseguido me conectar com sua alma 

Ou talvez "vossa excelência desperte em mim os instintos mais primitivos"

Mas, no fim do dia eu não consigo explicar o porquê, mesmo conhecendo-te a pouco tempo, eu estaria disposto a:

" dançar tango no teto contigo

limpar os trilhos do metro por você 

ir a pé do Rio a Salvador

aceitar a vida como ela é (...)

tomar banho gelado no inverno" 

ou fazer marmitas veganas;

ou te mandar mensagens de bom dia, todo dia, mesmo sendo unilateral. 


Eu só sei que só posso ser quem eu sou e que :

" Ô bixinho, eu devo te conheçer de outra vida  🎶                                  

Meu sentimento anda repartido: um pedaço tem sido pra você "


No fim do dia, serei sempre grato por ter me feito recomendações de coisas maneiras, por ter tido o trabalho de me ligar e por ter se permitido me ouvir e falar por quase quatro horas sem parar. 

E se não dermos certo. ok:

"bota a culpa no signo

Tudo por culpa do signo

Ai, ai, ai esse signo

Ai meu Deus esse signo"


Talvez esse seja o último bom dia dedicado. Talvez eu precise entender que serei pra ti só um amigo... mas, quero que saiba que esse serzinho emocionado, sentimental e bobo se apaixonou por ti e se encantou pela sua complexidade, paixão e cara boba.

Ps:. sei que escrevo alguns clichés e rimas fáceis, mas clichés só são clichés quando nos outros, quando em nós é só viver. 💕

Escrevo-te pois eu preciso colocar o que sinto pra fora: ou senão me inundaria tanto em mim que talvez perderia-me em meio a mim mesmo. 



domingo, 14 de junho de 2020

Unamo-nos

Professores, nos unamos para de fato mudar esse mundo !! "O opressor não vai abrir mão dos seus privilégios sem luta." O único jeito de realmente mudar tudo é quebrando o sistema opressor pra construir outro.

Um outro: novo, humano e igualitário.
Minha forma de luta é pelo ensinar com amor, com consciência de classe, reafirmando meu lugar de proletário e vendo pra além da nota, do prazo, da fórmula... É olhar para o aluno como o ser humano digno de respeito e individualidade que ele é.

Mostrando que ok errar, pois é errando que se aprende e que a "perfeição" que o sistema teima em por como meta é só outra maneira de nos oprimir.
Mostrando que ser diferente é incrível e que eles têm o direito de saber quão belos e incríveis são.
Além disso sempre tentando mostrar que eu também sou humano

A luta é árdua, mas a recompensa que vem com ela é indescritivelmente prazerosa.
Que eu vire luz.. Que eu vire imensidão...
Que meu amor ecoe... ♡♡ E que minha luta se transforme em energia de empoderamento, de resistência e sobrevivência. “O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS, MAS O SILÊNCIO DOS BONS”" 


Do Will: Professor, Aluno, Progressista, Sonhador, LGBTQ+, Queer, Resistência e sobrevivente.

#antifa #forabozo #proud #lgbtq #resistencia #fighter

Até logo

Boa noite, boa tarde ou bom dia...

Não tô muito bem não e me desculpa pela demora pra responder e me pronunciar. Agradeço a todas as mensagens de carinho e apoio que recebi e espero responde-las com calma quando eu melhorar.

Na verdade estou mal de um jeito que nem sei se já fiquei antes.

Tentando achar sanidade pra ver alguma luz no fim do túnel.

Hoje a eles me dispensaram formalmente...

Não fui eu quem saí; eles me tiraram.

Talvez eu não tenha feito o bastante pra alcançar o nível exigido pela escola e talvez eu não me alinhe mesmo aos ideais da instituição, não sei ainda o que pensar disso, mas de coração eu me esforcei e botei meu coração em cada palavra e atividade que eu fiz.

A pandemia está sendo pesada para todos nós, mas penso ter me empenhando em tentar produzir um conteúdo bom, humano e que garantisse a qualidade pra vocês sem pesar tanto; tentando ser leve, divertido e buscando novas ferramentas e narrativas . Ou ao menos eu me esforcei pra tentar entregar isso a vocês.

As noites mal dormidas vendo tutorias de como tentar melhorar o som dos vídeos, as horas e mais horas editando, gravando, escrevendo e me esforçando até literalmente sucumbir de exaustão Física... tudo isso continua valendo a pena pelos momentos de aprendizagem, respeito e carinho que tivemos.

Nesse momento são muitas as minhas preocupações: a quarentena, os problemas financeiros que virão em breve com o meu desemprego, a saudade da minha família, a minha saúde debilitada pela falta de descanso e tempo pra me alimentar direito nos últimos meses, a minha cicatriz da cirurgia do apendicite que ainda sequer sarou direito... Os pesadelos com os prazos que eu tinha que cumprir ainda ecoam e minha mente ainda não os fez ir embora. Talvez eu não tenha sido forte o suficiente pra aguentar o tranco de ser professor, sozinho em São Paulo, em meio ao caos do Covid...

Ao menos, espero que saibam que o dinheiro que eu gastei pra comprar um microfone de lapela, pra tentar arrumar meu computador, pra comprar a licença do programa de edição, pra tentar melhorar meu zoom, todas as vezes que passei a internet do meu próprio celular porque a da pensão onde moro não estava funcionando, a tentativa de improvisar um fundo para os vídeos, os cursos que busquei pra tentar entender como avaliar na quarentena e como amparar os jovens fragilizados pela pandemia, como usar simuladores para gerar aprendizagem significativa, como fazer atividades que incorporassem os elementos que vocês têm em casa... espero que saibam que tudo isso continua valendo a pena por causa de vocês.

Peço desculpas por qualquer coisa e por talvez não ter feito o bastante.

Peço que sempre continuem sendo esses jovens adultos incríveis e especiais e que nunca se esqueçam que vocês podem chegar aonde quiserem e que ninguém é obrigado a ser bom em tudo e que tá ok ficar mal um dia, ter problemas, errar e tropeçar.

Que jamais deixem ninguém fazer vocês se sentirem pequenos e que me ensinaram muito nesse tempo que passamos juntos.

Sei que muitos não entendiam os textos longos, as atividades na frente do espelho ou gravando vídeos medindo a velocidade de vocês
... mas saibam que tinha um motivo pedagógico por trás de cada escolha: o ENEM é cheio de longos textos e questões com vários passos, a Fuvest demanda um raciocínio lógico complexo e de criatividade argumentativa e mais do que tudo isso a vida e os tempos modernos pedem mais amor e mais cuidado.

Sei que as vezes posso não ter escolhido a melhor palavra na hora de responder uma dúvida ou que posso ter falhado, mas que isso permita a vocês entender que o importante no fim das contas é sempre se esforçar em reparar os erros e que não tem problema pedir desculpas e tentar fazer melhor da próxima vez.

Sei que sempre escolhi me posicionar, lutar pela liberdade, pelo debate, pelo amparo e pela coletividade. E disso também não me arrependo.

Não me arrependo de lutar pelo que eu acredito ser certo, por sempre tentar proteger aqueles que nem sempre podem se proteger sozinhos e espero que o meu amor pela docência tenha ecoado em vocês para que possam procurar suas próprias paixões e propósitos de vida.

Era meu papel dar bronca, ajudar a formularem os argumentos e as vezes também a mostrar as falhas por trás dos quereres e das certezas que as vezes tinham.


No fundo nada sabemos, segundo algum velhinho da filosofia aí e quem sou eu pra discordar dele; mas, se tem uma coisa que eu sei é que a aprendizagem vem ora com o não, ora com um sorriso, ora com um bando de fórmulas e frases pra ajudar a decorar... e que professores são só outros seres humanos tentando sobreviver nesse mundo às vezes caótico.


E pra deixar bem claro, não estou julgando as escolhas da escola e nem quero fazer nenhum juízo de valor sobre ela ou qualquer membro da instituição e que qualquer divergência de opiniões será expressado no lugar apropriado pra isso.

Só queria me despedir, dizer de novo que se precisarem podem sempre contar comigo e dizer que vos amo: e esses são os único intuitos dessa mensagem e espero que eu consiga alcança-lo.

Aos meus alunos, todos eles de todo e qualquer lugar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Desjornadeado


A besta

Ansiedade virou uma palavra cada vez mais comum no imaginário popular, mas aqui não é uma mera agonia inerente ao novo ou situação desconhecida: ela cria corpo e vida.

A presa tem que se degladiar com força contra esse ser que consegue imobilizar e impor um domínio ímpar sem sequer ser visto.

Sorrateira, visceral, capaz de ver por além da alma e de criar sombras até mesmo onde a luz bate com força.

Controla o tempo e desvirtua os sentidos: os dias passam correndo e as atividades se amontoam num piscar de olhos e em poucos instantes soterra a energia que havia sobrado.

O silêncio é rompido pela ferocidade quieta que ela traz.

Sem origem, sem corpo, sem cor, sem nada. Mas, presente em todo lugar. Invisível enquanto carrega consigo uma enxurrada  
de si,
do outro,
do sempre,
do nunca.



O herói

Um só em meio a bilhões.
Robusto de ideias e perene na luta que a muito ele já abraçara.
Refletindo em si as incertezas nas quais tanto tem certeza e que se diluem na criatividade para com que interage no mundo.



O encontro

As ideias pairam em sua cabeça.. são tantos os vislumbres e ímpetos pra trabalhar, criar e produzir.

Contudo, seu corpo inteiro estremece ao pensar em começar.

Seu coração se comprime e o sangue parece parar de circular pelo corpo.

A cabeça brilha, mas se apaga pela ansiedade que domina.

A insegurança sem sentido, o medo do erro e a petrificação que frustra e gera tanto desconforto.

O coração que a pouco parara, ora explode em migalhas ora simplesmente some deixando um vazio que se faz sentir.

Em frente ao caos gerado e a tamanha imponência a derrota parece certa.

Como pode um corpo frágil e orgânico enfrentar tamanho conflito cósmico? A tragédia começa a vencer no lugar da jornada que alguns podiam vir a esperar.



O duelo

O espaço tempo que teima em nos possuir aqui nada importa.

O herói em um súbito se sente grande.

Cada vez maior até que não seja mais um: seja muitos, seja vários. Uma legião inteira daqueles que o compõem.

Nas palavras que profere escuta todos aqueles que já ouvira.

Nas suas mãos sente o toque daqueles que teve a honra ou o desprazer de esbarrar.

O amor que recebe reverbera de além do que o rodeia, vindo do âmago daqueles com quem ele compartilhou um pedaço de sua existência.

Seu eu tem a força de um nós que vai além dos seus, se energizando até mesmo nos ícones que a ficção nos deu.

Os anos de trajetória o calejaram e por mais que a momentos atrás parecessem aumentar o peso que carrega, se transforma no impulso que o faz voar.

Sai do chão que atritava com seus pulsares e se vê livre pra poder golpear.
Será que assim finalmente exorcizara a besta que a espreita está?



A Vitória

Ouso dizer que estive lá - por mais que o lá aqui esteja: telespectador de uma batalha que raramente se permite ser vista.

Escolho vos dizer que o destino sorriu pro nosso herói. Ou melhor, que ele, eu e você criamos nosso sorriso. Um sorriso que existe com luta e por isso tão especial.

E viveu então feliz pra sempre,
sendo o sempre até o surgimento da nova besta a ser derrotada,
e a felicidade aquela que até na tristeza habita.


    

Photo by Antonio Mora

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Amor Calefação

Acordei focado.

Iria pra academia em busca do tão sonhado corpo torneado.
Não que eu me importe muito com isso, só que dizer que não me importo em nada também é mentir descaradamente.

Tinha marcado de te encontrar; algo rápido, visceral, carnal, público e sem muita conexão.
Mas, lá vem a vida com toda a sua pompa e espírito brincalhão.

Demorei pra chegar; mas quando cheguei me deparei com muito mais que um corpo belo: um moço rapaz de sorriso farto e olhos profundos... uma imensidão de complexidades, dores, alegrias e sonhos. 🌌

No parque, à luz do luar, com o vento batendo e os olhos mais diversos a observar.

Engraçado como foi depois disso; deitado em seus braços que comecei a me apaixonar.

Acordei, no dia seguinte, com um sorriso bobo e leve - clássico de quem acabara de se deparar com formoso sentimento a palpitar e crescer.

Demorou, mas quando te reencontrei estava tremendo por dentro.

Sei que o humor parece exalar confiança; mas se pudesse ver além do exterior veria um serumaninho em pânico em frente à tão majestoso fuor.

A cada instante me permiti conhecer-te e permiti mostrar-me mais e mais. ⚘

A minha vergonha de ficar nu em frente de terceiros se esfarelou e genuinamente ouvi cada uma de suas histórias e a cada uma delas me despi mais e mais; me deixando extremamente exposto.

Os anos me calejaram e me deram a habilidade de ver, quase que em negrito, quando algo incrível e especial está acontecendo. Porém, essa mesma vida também me fez me proteger em meio aos abismos inerentes de nossa existência.

Eu ia embora em breve.

E já tinha muito de você dentro de mim.

E fiz talvez o movimento mais delicado de todos. Te levei pro centro dos meus amigos; te coloquei dentro da minha vida; te vi criando raiz e se tornando parte do nós que tanto prezo.

Jamais quis acreditar que o que senti era unilateral, mas acho que era o caminho mais fácil a seguir. Tive medo... tive pânico...

Sua complexidade entrou em choque com a minha fractal e infinita forma de ser: intenso, exato, emocional, racional...

Mesmo em meio a brincadeiras, espero que saiba que eu realmente vislumbrava , num futuro, me assentar ao seu lado.

Eu compraria quantas alianças finas o dinheiro me permitisse e construiria uma vida cheia de pimpolhos e cachorros épicos.

Mas, não sou perfeito.

Jamais tive ciúmes do seus amigos, do seu passado, dos seus antigos parceiros ou até mesmo dos que sabia que viriam após eu partir: tive inveja, mista em um vislumbre de saudade e uma pitada de indignação por não ter tido a chance de ficar mais tempo ao seu lado.

Sucumbi perante tamanha dor que se aproximava.

Não te considero perfeito e sei que a exaltação veio dos dois lados. Dois titãs tentando sobreviver e se encontrando cada um com seu Rasengan meticulosamente ensaiado. 🌋

Uma explosão. O silêncio. A chateação...

Sequer sei como seria se a calmaria tivesse regido nossos últimos instantes.

Mas, eu realmente sei que não seria nós e nem condizente com o sentimento avassalador que senti.

Uma grande amizade sempre tem conserto e da minha parte já a consertei por inteiro. Afinal, você já é um amigo, uma paixão, um crush e foi um super - mesmo que express - namorado.

Admito que acordei assustado de noite em busca dos seus abraços e ainda tenho espasmos por saber que está chateado.

Minha mente tenta me fazer crer que você não se importa (se importou) comigo e que tudo não passou de uma miragem que criei em meu próprio quintal.

Mas, sei que não é verdade... ou pode até ser: não importa.

Escolhi ver-te com meus mais belos olhos e acreditar na melhor versão de nossa história.

Espero que consiga, antes de mais nada, se manter em foco às suas metas, que consiga resolver seus problemas e que entenda que não há força capaz de destruir algo tão belo como o que aconteceu entre nós.

Ainda tenho vislumbres de nós cultivando nossa amizade, quiçá nos beijando, nos amando, crescendo, se apoiando...

Não sei ao certo qual será o futuro, mas hoje vou respeitar seu espaço e lidar com os buracos que antes tinham seu toque, figurinhas engraçadas e sua força imensa.



Art by Adam Riches


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O encontro - A anfitriã

A mesa estava milimetricamente arrumada. Não de uma forma conservadora ou que prezasse por uma simetria exagerada: era despojada e trazia um ar descontraído, como se a anfitriã não tivesse pensado e repensado onde colocar cada objeto sobre ela (por mais que ela o tivesse feito).

Um detalhe importante é o de que a mesa era também obra de seu próprio trabalho e destreza manual. Usando de umas madeiras que outrora eram porta de um armário, e que para muitos não teria a menor utilidade, ela fez sozinha (ou com a mínima ajuda possível de terceiros) aquela mesa. 

Uma obra prima que contava com pequenas imperfeições aqui e acolá, fato esse que a tornava deveras única e especial. Imperfeições seria o nome que um leigo fordista daria ao que de fato é poesia pura; algo que tornava aquela estrutura além de única: cheia de alma. 

Era também um certificado vivo da sua força e autossuficiência; que por si só já passava uma mensagem clara ao convidado que estava a chegar. 

O resto do cômodo estava praticamente vazio. Ainda não tivera tempo de fazer sua mudança definitiva. Ou talvez estivesse protelando ao máximo mudar pro apartamento onde moraria só, depois de tantos anos acostumada com o barulho característico que as famílias produzem quase que ininterruptamente. 

Umas almofadas bonitas, que fora presente de sua mãe, foram colocadas no chão com certo ar desconstruído e despojado que sua geração aprendeu a exaltar. 

As cadeiras... ela também as montou, depois de comprar na internet e esperar calmamente com que elas chegassem. 

Os planos de como cada cantinho ficará já está na sua cabeça e parte deles em alguns desenhos que ela esboçou com esmero. 

Porém, ela não tem pressa; ou ao menos não a demonstra. 

Cada canto vai se criando no seu próprio ritmo; por mais que convenhamos que, as vezes, esse o seja lento demais. 

Talvez esse cômodo reflita bem o conflito que ela sente em relação ao mundo. Uma batalha sutil entre o seu apreço pelo inesperado, a aventura, o visceral, a paixão; e os seus planos tão cuidadosamente forjados e que em alguns breves momentos urgem em seu peito. 

Ela já não tem mais 20 anos. E muito menos está perto dos 40. Ela habita aquele limbo temporal onde ainda se é muito jovem pra ser velha e ao mesmo tempo velha demais pra ser jovem (parafraseando a antiga Sandy Ejunior, agora órfã do seu sobrenome).

O menu do jantar tinha sido pensado pra agradar ao convidado, mas também para se encaixar nos desejos dela de prezar pela saúde e pela boa experiência culinária. 

Comprara cada um dos ingredientes, os cortou, preparou, cozinhou e decorou sobre a mesa. 

E não fora só do ambiente que ela cuidara.

Foram longos os minutos em que ela pensou em qual seria a melhor roupa para a ocasião. Queria se manter longe de uma aparência séria ou formal demais, contudo também queria um tom menos cotidiano, afinal queria deixar claro que esse não era um dia qualquer, era mais do que só mais um encontro. 

Acabou por se vestir com o mesmo ar angelical e jovial que é quase a sua marca. Uma jovem com seus vestidos leves, coloridos e floridos, complementados pelo seu sorriso encantador e um ar intelectual sempre presente. Porém, decidiu por ousar nos acessórios e na maquiagem. Nada exagerado, mas algo que denotasse como aquele dia era especial.

Já estava quase tudo pronto e sua pauta mental sobre o motivo daquele jantar também já estava estipulada e, obviamente, ia muito além de uma simples refeição. 

Tinha tanto a ser falado...
Tanto a ser decidido... 
E mais do que isso: tinha tanta coisa que ela desejava desesperadamente ouvir.





Photo by Stefan Draschan