terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

.segredos

Ao fechar os olhos, imagens quaisquer tomam meu sossegar.

Enquanto o mundo sonha, estou preso ao mais sombrio passar.

Não existe sequer um feixe de luz,
nem um resquício de sorrisos,
ou um prelúdio qualquer do amor.

A dor é visível; transformada de um mero conceito, pra uma forma física complexa e estranhamente sedutora.

Ela brinca com minhas neuroses e arrepia qualquer pelo que veja pela frente.

Sinto-a deslizar seus dedos por entre euforias e mutacionar-nas em finais dos mais genéricos possíveis.

Amores não são mais o bastante, não os são o suficiente, não são nem ao menos reais: banais.

A sorte foge de mim e se esbarra em qualquer outro pedaço de vida, afinal nem vivo mais estou:
a morte se faz presente no meu semblante vazio e na minha dor infernal.

Tento gritar, mas qualquer melodia também se esvaiu de mim.
Tento... até parar de tentar e , imóvel, simplesmente aceitar o nada a me espreitar.

De súbito, acordo e me liberto dessa cadeia onírica com que minha mente teima em me presentear...

A dor passa, os amores voltam e a vida me preenche; mas mesmo assim, o vazio parece continuar todo por lá.

Wilian Junior