quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pensam; ali: mentir-se-á.

Penso que resisto, mas não tenho dúvidas que me iludo.
Se digo não,  é por querer mais do que um mero sim pode aguentar.
Rasgo me, mantendo me aos outros: intacto.
Verborragizo sobre coisas que não faço idéia o que são.
E do que sei,  não entendo direito como expressar.
Teorizo sobre práticas que eu sequer deveria vir a cogitar;
penso quando deveria somente estar,
e por muito fico quando já deveria ter deixado pra lá.

Maduro, mas, pivete ao primeiro confronto de opinião: pagão.
Esperto no se convencer que não cairá mais em tentação: cristão.
Tentação aceita por total empatia e por vil confabulação: paixão.

Conheci;  sem pensar em de fato me envolver.
Envolvi; sem espaço hábil onde me esconder ou de fato saber.
Inundei;  cego em um vazio que teima em me ter : viver.

Aterrorizante o quanto platonizo os quereres e como isso me encanta. 
Achares que de nada adiantam, mas nos quais mesmo assim ainda creio.
Jovem nas suas definições, mas decrépito nas reais situações.

Nosso, sem que a posse seja um fator negociável;
Livres, sem nunca do lado de fora ter estado.
E apaixonado até que me provém o contrário. 


Áudio- poema: https://soundcloud.com/ofindor/pensam-ali-mentir-se-a









terça-feira, 25 de abril de 2017

Clarício

Seu nome era Clarício; nome incomum em meio a recente homogenização cada vez maior de nomes, gostos e estilos que a sociedade teima em empurrar goela a baixo dos sonhadores, dos estranhos, dos doidos e daqueles tido como encrenqueiros.
Um menino-homem, relativamente alto, comedidamente belo e consensualmente esperto, que tenta se agarrar desesperadamente na sua jovialidade que vem sendo abastada dia após dia.
A força que antes sentia fora substituída por dores aqui e acolá; e quando somadas, se transformam em uma verdadeira horda irrefreável que o impede de poder sentir o mundo que o rodeia - como antes fazia e tanta falta lhe faz.
Cada novo dia é o início de mais um passo no caminho do fim - que por alguns momentos ele tanto quer que chegue logo.
Alguns pensarão que Clarício é um senhor por volta dos seus 60 ou 70 anos, tentando desesperadamente manter-se atado a sua lucidez e alegria de viver, porém, se assim o pensa, se engana, caro leitor.
Clarício tem meros 25 anos. Mas, se o víssemos por dentro, seria nítido que carrega as dores de toda uma geração.
Suas dores não são físicas e sim uma angústia trepidante que ele sente no fundo do seu peito; dores oriundas de quedas metafóricas que o aprisionaram em um estado de eterno processo de recuperação.
As feridas expostas se fecham com o tempo, mas ao menor sinal de movimento são escancaradas e voltam a causar uma dor que de tão forte parece que quebra a continuidade monótona do espaço-tempo e o desloca para um inferno escaldante de puro desgosto, sombras e infinidade - onde o próprio tempo é servo da desilusão e do medo.
Durante esses momentos sua vontade é só a de ficar perfeitamente parado, quieto, incomunicável, intocável... mas o pulsar acelerado de seu coração raramente permite um segundo sequer de respiro.
A velocidade insana de sua cabeça cria histórias mirabolantes em pequeníssimos instantes e o silêncio raramente lhe é concedido.
Durante as ditas crises, a palavra paz sequer faz sentido....
TO BE CONTINUE
By Wilian Junior

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O último topete

Ser um sonhador, ultimamente, demanda cada vez mais e mais, de cada centímetro de nosso âmago...


Houve um tempo em que mesmo em meio ao total caos, alguns conseguiam ver uma luz no fim do túnel e era essa luz que guiava as músicas dos apaixonados e norteava os que lutavam por um mundo melhor.


Hoje em dia, finge-se que estamos no meio dessa luz, que por tanto tempo e por tantos foi almejada: "tudo está perfeito", "isso é só mimimi", "já já essa crise passa", "acabou-se a fome e o analfabetismo", "estamos em paz; as guerras finalmente findaram", "hoje as pessoas são mais tolerantes"...


E enquanto esse discurso é amplamente propagado estamos cada vez mais abarcados pela corrupção.


E infelizmente não é só uma corrupção política ou social: é uma corrupção humana.


Uma corrupção que nas telas dos computadores parece tão desoladora, mas que quando salpica em nossas vidas é jogada para debaixo do tapete.


A verdade é que o mundo está cada dia mais preconceituoso e xenofóbico.


O mundo está em Guerra: milhares de pessoas pobres e periféricas perdem suas vidas diariamente enquanto tantos outros assistem calados.


Oito, repito: OITO bilionários têm juntos mais dinheiro que a metade mais pobre do mundo.


O analfabetismo das palavras foi trocado pelo funcional e político.


O pão e circo de outrora virou a grande gama de entretenimento que guia nossas vidas e nos entorpece: tantas divas pop, tantos novos seriados da Netflix para assistir...


Não devemos perder nossas esperanças num mundo melhor e menos ainda devemos parar de lutar ou deixar de nos divertir.


Afinal, a cada dia também aumenta o empoderamento dos viados, das mulheres, dos negros, dos pobres, dos nordestinos, dos transexuais... e de todos aqueles que a sociedade teima em tentar diminuir, invalidar e excluir.


Contudo, devemos perceber o mundo que nos rodeia para ficarmos menos suscetíveis as artimanhas que teimam em nos enfiar goela a baixo.


Entender que Black Mirror não fala de um futuro distópico e sim do agora, do hoje e até mesmo do ontem.


Dividir o país em coxinhas e petralhas é tão cômodo...


Não se pensa mais se a PEC é ou não boa pro país ou se a nova reforma do ensino médio ajudará os futuros cidadãos desse país, tudo o que importa é que isso é coisa de Petista, logo sou contra.


Aviões caem por pura coincidência do destino, os políticos fraudulentos são só os de partido x ou y, os estudantes de todo um país estão ocupando suas escolas e universidade por simples falta de conhecimento...


E por mais que você não acredite nessas coisas; cada vez mais e mais pessoas acreditam nelas e não enxergar isso é afundar num igual estado de cegueira.


Hoje decidi sair de um lugar que faz parte da minha vida a muito tempo, tanto tempo que nem me lembro de como era a minha vida antes dele.


Ali aprendi a lutar, aprendi a ver além e o mais importante me tornei quem eu sou hoje.


Ultimamente, foi ali, que vi discursos tão distantes das ações e onde me cansei de lidar com o descaso que os rodeiam...


" a construção deve ser coletiva, mas só se feita por aqueles que "eu" julgo dignos dela."


" deve existir respeito, mas para com aqueles que gosto, senão falarei e os farei mal e os rebaixarei com todos as minhas forças."


Não houve luta para eu ter ganho ou perdido; há somente um cansaço e deslocamento para com tudo isso.


Uma hora as crianças tem que ir á escola, e chegou minha hora de lutar de verdade contra esses falsos moralistas transvestidos em sorrisos doces e venenosos.


E a luz que me guia não é mais um futuro ideal e utópico e sim o olhar de pessoas incríveis e fabulosas que conheci nesse caminho.


Pessoas tão diferentes entre si e de mim, mas com as quais me identifico profundamente. Eu sinto o amor pulsando de suas veias e a luta refletindo nitidamente em suas faces; e sei que ali habita o mundo em que quero viver.


Não sei se ganhei tantos amigos quanto deveria, mas ganhei ídolos e ídolas, exemplos de vida, e irmãos de luta, sonhos, suor, porrada e bomba.


  

         "The lost ship", a photographic collaboration between Giannis Bouklis and DforDesign

sábado, 9 de julho de 2016

The cursed child - Parte 01

Vim pro mundo amaldiçoado.

Pesado?
Talvez.
Mas, infelizmente não tive escolha.

Nunca acreditei direito em superstições, mas sempre as temi:
nem por decreto deixo a chinela virada.

Minha maldição?
Faço com que as pessoas se apaixonem loucamente, seja carnal ou só como algum amigo deveras especial, por mim.

Me conhecem e as pessoas se vêem anestesiadas pelo meu jeito peculiar de ser e ver o mundo.
Elas se perdem em meio às minhas caras engraçadas e meus conselhos aparentemente amadurecidos.

Me amam, me acolhem, me aquecem, fazem com que eu me sinta a pessoa mais especial que já existiu nesse mundo.

Juras são feitas em nome da eternidade: um amor que nunca acabará;
uma amizade que durará para sempre .

E eu me encanto, me entrego e me vejo acreditando nesse fuor outra vez.

Não atraio pessoas ditas perfeitas;
me junto ao quebrado, ao desvinculado, ao perdido e ao virado.
Aprendo a amar cada um de seus defeitos e a ver beleza em cada andar mal planejado.

Amigos pra sempre...

Até que se vão...
Tudo em vão.

De noite, busco uma piada jogada, mas não há absolutamente nada.

Primeiro meu pai que tanto me amava, sumiu.
Nunca mais o vi.
Fiquei órfão de gente viva.
Doeu tão forte logo de cara; como o peito de uma mera criança pode aguentar tamanho vazio?

Depois tantos os outros morreram, tão rápido que nem percebi o instante da partida.
Um átimo.

Amores que conheci tão longe de casa e que não pude trazer quando retornei.
Ficaram pra trás,
Me deixaram pra trás:
Eu só queria paz.

Amizades de filme, costurados por anos a fio.
Até que um mero mal entendido a desfaz.
Simplesmente se vai...

Amiga temente a Deus, amantes descrente deles.
Todos distantes; sem nem ao menos um bom dia anual: um aceno de cabeça ou um mero abraço casual.


(To be Continue ( um dia desses, quando eu tiver disposto a terminar de escrever...)



Photo Falling by Amir Elshamy

domingo, 27 de março de 2016

“bam-bam-bans"

O tempo passa e pensamos estar crescidos...
Descobrimos que o papai noel do shopping nada mais é do que um homem qualquer de fantasia; que os únicos mamíferos que botam ovos são ornitorrincos e equidnas (#coelinhodapascoaisdead) e que nenhum homem do saco vem te pegar se fizer bagunça (por mais que um cara qualquer pode tentar te espancar na rua, mesmo você tendo sido um bom garoto a vida inteira).
Com a idade, vêm as responsabilidades e nos sentimos os “bam-bam-bans”.
Podemos decidir o que fazer da vida, dormir na casa dos amigos e depois de um tempo até dormir com os amigos (͡ ° ͜ʖ ͡ °).
Primeiro amores parecem ser os únicos; verdadeiros filmes da Disney (não os atuais e sim aqueles bem trashs mesmo, com "felizes para sempre" e todo o resto).
E no fim do namoro parece que as nossas vidas vão acabar junto com eles. Mas, continuamos vivos. Alguns demoram alguns dias, outros alguns anos, mas todo mundo supera e segue adiante. E se apaixona de novo, de novo e de novo.
(Claro que algumas pessoas desistem no caminho e acabam virando padres, outras deixam de crer no amor enquanto alguns morrem ao atravessar uma faixa de pedestre, mas a grande maioria sobrevive e segue adiante).
Pessoas surgem em nossas vidas e parecem que vão ficar nelas pra todo o sempre. "Seremos que nem em "Friends", morando juntos e casando uns com os outros..." Até que um dia nem lembramos mais delas, e temos que nos esforçar pra sequer recordar seus nomes.
O tempo vem e com ele paramos de acreditar que devemos ser perfeitos, aprendemos a aceitar aquela gordurinha aqui e acolá e descobrimos, a cada dia, um pouquinho mais de quem somos.
Hoje aprendi uma coisa a mais sobre mim.
Já faz um tempo que tive o desprazer de entender que uma galera sempre vai me odiar, por mais que eu tente ao máximo dar o meu melhor.
Descobri também, depois de muito esmurrar umas facas, que não sou um cara padrão e que não sou nada convencional.
Pra ser sincero sou bem louco até; mas quer saber de uma coisa? Eu aprendi a amar esse circo e a ver a beleza de cada um de seus palhaços. Tive que notar que meu lado barraqueiro nem sempre é ruim e que aproveitar uma "boa bad" tem lá suas vantagens.
Além disso, aprendi que vou errar e errar pra cacete. E, infelizmente, vou ferir pessoas que amo e ser machucado por elas.
É impossível viver (viver de verdade) sem que alguém, ao menos de vez enquanto, saia ferido. Contudo, hoje sei que o que importa não é o erro e nem a dor, e sim o que fazemos depois disso.
Amigos verdadeiros perdoam. E outros vezes, amigos que eram verdadeiros, o deixam de ser e nem por isso não vivemos algo incrível. Só que... passou.
Haaaaaa... A vida é tão complexa e tem dia que dá vontade de jogar tudo pra cima, mas isso nem é uma opção, né? - Ao menos que você seja um milionário dono de sua própria ilha - .
E o que eu aprendi hoje é que aquela velha história de deixar as coisas irem, realmente faz sentido. E não estou falando de um amigo, um namoro, um desafeto ou algo em específico não:
Tô falando em deixar o eu de antes e tudo aquilo que só existia nele ir embora.
E como é difícil desistir daquilo que já nem existe mais. Sei que nem ao menos faz sentido, mas "QUERIDA", isso as vezes é bastante difícil.
Porém, boa viagem:
* pra menina que era minha amiga, mas ao descobrir que eu era gay, ficou puta, disse que me amava e me julgou pacas;
* pro ex namorado de quem eu realmente queria ser amigo, mas que é um verdadeiro babaca comigo;
* pra'quele ex amigo que nunca fora de fato seu amigo, mas que você queria TANTO que fosse;
* pra vergonha de não ter um abdômen sarado;
* pras falsianes e pras fofocas eternas que sempre vão existir sobre mim. As fofocas vão continuar, mas não preciso me importar com elas;
* pra quem era apaixonado por mim e agora acha que eu sou um monstro devorador de criancinhas;
* e pra todo mundo e tudo que não me faz bem...
Mas, pera aí. Se você for uma criança e tá indo no banheiro cortar os pulsos por achar que virar adulto é uma total merda: FAZ ISSO NÃO. Afinal, pode acabar não morrendo e ainda tendo que viver o resto da vida com sequelas... (risos).
Brincadeira a parte, crescer também tem suas virtudes, afinal no momento em que decidimos dar adeus a todas essas coisas, você dá olá pra um mundo cheio de novas hipóteses e novos vocês. QUALQUER coisa pode acontecer; e não vai me dizer que isso não é absurdamente animador!
Podemos acabar virando panicats ou virar um meme na internet.
Além do que, a magia que na adolescência era sinônimo de imaturidade se mostrou mais real do que muitas outras coisas por aí.
E toda vez que:
* eu olho no sorriso doce e estonteantemente acolhedor do Daniel;
* ou quando a Anne larga o que tá fazendo pra me acompanhar até o hospital;
* ou quando a Thais para pra me dar o mesmo conselho pela infinita vez;
* ou quando a Bárbara garante que se nada der certo, é só nos casarmos e ponto final;
* ou quando o Pedro, me trás sorvete light de madrugada;
* ou o Alexandre e o Uadson vêm me dar broncas por eu estar fazendo papel de trouxa (#trouxiane);
* ou quando o Igor e eu sambamos na cara das inimigas com cara de trakinas;
* ou eu e o Rafael ficamos conversando sobre vida após a morte (#medinhodenaoternadadepoisdamorte);
* ou quando a Nayara e eu vamos a um lugar sem álcool e super comportado pra conversarmos (quis manter a fyna e não te comprometer #bomamigo);
* ou quando recebo um abraço da Claudia, vulgo melhor mãe do mundo...
Quando tudo isso acontece, a vida se mostra mais incrível do que um bom livro do Harry Potter (É claro que se existissem dragões e varinhas ela seria mais legal ainda (BEM MAIS LEGAL), mas...).
E é no meio de um bando de bicha recalcadas, de um zilhão de falsos amigos, vilões tapados e de textão no facebook, que vivo:
Nessa grande e divertida novela mexicana chamada minha VIDA.
Foto by Jose Luis Barcia (Ganhador da segunda colocação, na categoria "pessoas" do prêmio Ippa (iPhone Photography Awards))

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

.segredos

Ao fechar os olhos, imagens quaisquer tomam meu sossegar.

Enquanto o mundo sonha, estou preso ao mais sombrio passar.

Não existe sequer um feixe de luz,
nem um resquício de sorrisos,
ou um prelúdio qualquer do amor.

A dor é visível; transformada de um mero conceito, pra uma forma física complexa e estranhamente sedutora.

Ela brinca com minhas neuroses e arrepia qualquer pelo que veja pela frente.

Sinto-a deslizar seus dedos por entre euforias e mutacionar-nas em finais dos mais genéricos possíveis.

Amores não são mais o bastante, não os são o suficiente, não são nem ao menos reais: banais.

A sorte foge de mim e se esbarra em qualquer outro pedaço de vida, afinal nem vivo mais estou:
a morte se faz presente no meu semblante vazio e na minha dor infernal.

Tento gritar, mas qualquer melodia também se esvaiu de mim.
Tento... até parar de tentar e , imóvel, simplesmente aceitar o nada a me espreitar.

De súbito, acordo e me liberto dessa cadeia onírica com que minha mente teima em me presentear...

A dor passa, os amores voltam e a vida me preenche; mas mesmo assim, o vazio parece continuar todo por lá.

Wilian Junior


domingo, 30 de agosto de 2015

Just saying - Comida (I)

Mundo, doce mundo, mas não tão doce assim;

Finalmente parei com as fuleragens de sentimentos homéricos em poesias lacônicas. Parei com as dores de corno e com os prazeres da carne (#safadinho), com os "ménage a trois" e com a castidade cristã, com os sorrisos marotos e com a sofrência pabloniana.

Simplesmente parei com essa bobagem toda.

E me voltei para o que verdadeiramente importa nesse mundo viciado e viciante.

Falarei de culinária; afinal Master Chef Brasil está bombando e esse assunto realmente mexe com a vida de todo mundo. (Fica aqui a dica de que Master Chef Australia é BEM MELHOR que o do Brasil. Acredite! E aquela Ana Paula Padrão devia ficar quietinha no fundo dançando macarena ao invés de atrapalhar a bagaça toda. E me pergunto: Cadê galera fazendo manifestação na rua pra tirar ela do programa? Cadê? #achonecessario)

Seja uma criança desafortunada que sonha com um pedaço de pão velho ou um obeso magnata tentando comer mais salada ao invés do bom e velho "cordon bleu" de todo dia, todos comemos, desde bebês famintos até idosos desdentados, de vegetarianos ativistas até religiosos xiitas, de fungos decompositores até os dragões da Daenerys.

Tá bom! Nem todo mundo assim: afinal tem aqueles caras que vivem só de luz e acho que o Jack Bauer também não deve ter muito tempo pra isso nas suas poucas 24 horas de existência por temporada. Mas, dá pra entender o meu ponto.

Começemos pela infância...

Assim que nascemos, enquanto ainda somos meras máquinas de cagar, chorar, engolir e sermos fofos, já apreciamos comer.

Antes mesmo de falarmos, já esperneamos pra que nossos pais venham logo nos alimentar. E olha que as opções não são muitas. Viemos ao mundo numa realidade quase que cruel; só bebemos leite por um longo período de tempo. Não dá nem pra botar um pouco de Nescal ou Nesquik (Deixar claro que não sou contra a amamentação não, tá? Senão, daqui a pouco vai ter umas dezenas de pessoas vindo me acusar de ser contra a família tradicional e a favor do aumento da maioridade penal ;p).

Com o passar do tempo, as coisas ficam cada vez mais e mais complexas. Toda vez que vamos beber leite, temos infinitas combinações possíveis para tal. Sério, sou quase-físico e sei que deve ter umas milhares, senão milhões de possibilidades de como podemos beber nosso leite. Leite com Nescau, com Toddy, com Nesquik, com bastante Kero, com um pouco só de canela, misturado com Whey protein, leite quente, leite frio, desnatado, integral, na xícara, na caneca, direto da fonte (#querleitinho by: Lubatv)...

São tantas as combinações que me pergunto: "Como somos capazes de escolher uma forma só de beber nosso leite?"

Alguns vão escolher sua forma predileta, de modo cabalístico, e vão repetir um padrão por toda a sua vida. Outros, por sua vez, vão tentar, sempre que possível, experimentar novas combinações e sabores.

Além disso, outra complicação ainda maior surge: Quando bebes, só nos basta chorar pra que nos enfiem uma teta na boca e somos alimentados. Com o passar do tempo temos que nós mesmos pegar a caixinha na geladeira e colocar o leite na xícara e quando a caixa esvazia, temos que ir até a dispensa pegar outra. Sei que isso não parece nada muito complexo, mas se compararmos ao que tinhamos antes: "PUXA VIDA, ficou bem mais hard". Mais pra frente, temos que pagar por uma simples e deliciosa caixa de todinho e se não passarmos no supermercado, os leites da dispensa ACABAM.

Minha intenção não é causar depressão em ninguém, por isso vou seguir minha importante reflexão por outra direção.

"Dizem" que as mães francesas deixam os bebes chorarem a noite para que eles aprendam que não adianta dar "piti" pra conseguir o que querem. (Nunca tinha usado essa palavra "piti" antes, mas, acho que está grafada corretamente - ao menos achei ela escrita assim quando procurei no google). Se ao levantarmos de madrugada pra dar de mamar ao nossos filhos, estamos os mimando ou não, não sei de fato, aliás, não sei nem se essa história das francesas é verdadeira ou não afinal conheci poucos franceses (só posso dizer que eles nem fedem tanto quanto dizem por aí), porém uma coisa é fato, já começa nesse período de nossas vidas o nosso apego, às vezes menor, às vezes doentio, pela comida.

Ps:. Quero deixar claro que usei "nossos filhos" só pra criar uma empatia no texto, contudo, na minha atual realidade, não me vejo cuidando nem de um peixinho beta no meu futuro.

Por hoje, vou dormir, porque já passa de uma da manhã e ainda quero escrever um poema depois de ler um texto de um dos meus ex f.d.p. (Duas coisas importantes sobre a última frase: Sim, o plural de ex, quando esse funciona como substantivo, é "ex" mesmo e não "exes" , como eu achei que seria: Fonte: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-plural-de-o-meu-ex/30320 -  segundo, sim, tenho vários ex fdp, mas nem todos os são, outro dia qualquer falo sobre isso).

Depois termino minha divagação sobre comida. E tenha certeza que depois de ler tudo o que penso sobre o assunto, sua concepção de mundo mudará drasticamente.

Boa noite.